25 de fevereiro de 2015

As cores com que se pinta o mundo

Teste de Ishihara para visão de cores

Descobri que era daltónico no dia da minha inspeção militar. Até então estava convencido possuir uma visão normal. Afinal detinha duma discromatopsia manifestada numa tricromacia anómala de protonomalia e deuteromalia típicas. As coisas que se podem dizer em grego quando temos uma perturbação da percepção visual em distinguir o vermelho e o verde.

O teste de Ishihara a que fui submetido em traje de Adão causou-me a estranheza de ver os restantes mancebos a debitarem números e letras onde eu só via bolinhas pintadas ao acaso. A minha iliteracia foi celebrada com grande hilaridade por todos os mancebos em pelota quando tive de identificar as cores dumas placas de plástico que me foram apresentadas e o fiz à minha maneira.

Dizem os manuais oftalmológicos que alguns tipos de daltonismo proporcionam um melhor contraste visual nalgumas combinações cromáticas. Têm uma visão noturna mais apurada e mais facilidade na deteção dalguns tipos de camuflagem. Deve ter sido por isso que os recrutadores me consideraram apto para todo o serviço a prestar em todo o império português de aquém e além-mares no mundo.

A minha professora de desenho tinha outra opinião. Quis saber com o espanto vincado no rosto onde é que eu já tinha visto pintar um sol vermelho a brilhar num céu amarelo. Hoje teria dito que em Vicent van Gogh, tão daltónico como eu. À data ignorava esse pequeno pormenor. Lacuna perdoável a um aluno do ciclo preparatório mas um pouco menos a uma docente especialista na matéria.

Obs.:
O teste Ishihara presente na imagem acima revela que uma pessoa com visão normal verá o número 8, enquanto um daltónico do meu tipo verá um 2 ou um 5. A forma de ver o mundo tem destas coisas de vez em quando.

2 comentários:

  1. É fantástica a maneira como contas as coisas. Adorei este texto. Parabéns!

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  2. Muito interessante esta informação! Eu, que consigo ver imediatamente o 5, mas nenhum dos outros números referidos, distingo perfeitamente o vermelho do verde. Os exames oftalmológicos nunca me identificaram como daltónica mas talvez a miopia conte para essa lacuna em identificar os números 2 ou 8... Sorte nossa que Van Gogh fosse daltónico pois as suas opções pictóricas inundaram a nossa vida de quadros vibrantes!

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