19 de fevereiro de 2015

Diatriba contra el deporte

Ένα υγιές μυαλό σε ένα υγιές σώμα | Mens sana in corpore sano

TARA & MÁCULA

«No conozco mentira más abyecta que la expresión con que se alecciona a los niños: "Mente sana en cuerpo sano". ¿Quién ha dicho que una mente sana es un ideal deseable? "Sana" quiere decir, en este caso, tonta, convencional, sin imaginación y sin malicia, adocenada por los estereotipos de la moral establecida y la religión oficial. ¿Mente "sana", eso? Mente conformista, de beato, de notario, de asegurador, de monaguillo, de virgen y de boyscout. Eso no es salud, es tara. Una vida mental rica y propia exige curiosidad, malicia, fantasía y deseos insatisfechos, es decir, una mente "sucia", malos pensamientos, floración de imágenes prohibidas, apetitos que induzcan a explorar lo desconocido, y a renovar lo conocido, desacatos sistemáticos a las ideas heredadas, los conocimientos manoseados y los valores en boga».
Mario Vargas Llosa, Los cuadernos de don Rigoberto (1997).

2 comentários:

  1. Interessante reflexão sobre o conteúdo da palavra "sã"! Concordo plenamente que se ignorem regras mais que ultrapassadas que proíbem o desenvolvimento natural da mente humana desde os verdes anos. Os maus pensamentos fazem parte da natureza do homem, da sua face negra, pelo que convém que saibamos lidar com tudo o que existe neste mundo para podermos optar em consciência. Mas não resisto a gracejar dizendo que a praticar desporto surgem sempre momentos que servem de casos de estudo para uma mente livre...

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  2. A sentença em apreço sempre me causou alguma perplexidade na forma como equaciona a perfeição idealizada do corpo são e da mente sã. Como se um corpo enfermo estivesse impedido de desenvolver uma mente sã. Penso, por exemplo, num Stephen Hawking e apetece-me ainda mais mandar a frase à fava. Poderia acrescentar a mente prodigiosa de cientista dum Albert Einstein apesar de estar muito longe de possuir um físico prodigioso de desportista. Vargas Llosa brinca um pouco com essa frase feita através da redução ao absurdo dos estereótipos da moral estabelecida e da religião oficial. Tal como insinua o don Rigoberto nos cadernos que dão corpo ao romance, sem a fantasia dos maus pensamentos, sem a liberdade de explorar o desconhecido e renovar o conhecido, a vida teria muito pouca graça para ser vivida.

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