23 de maio de 2015

A nova era da pedra lascada

Leonardo da Vinci - Uomo vitruviano (c. 1490)
[Gallerie dell'Accademia, Venezia]

NEOPALEOLÍTICO

Foram descobertos no Quénia ferramentas de pedra fabricadas há 3,3 milhões de anos, ou seja, 700 mil anos mais velhas do que os vestígios humanos mais antigos que resistiram à voragem do tempo. Significa isto que as marcas manufacturadas deixadas pelo homem para transformar a natura são bem mais resistentes do que as marcas biológicas deixadas pelo inventor da cultura.

Com esta capacidade de dar uma nova forma ao mundo, os descendentes da família de mamíferos homínidas procederam à conversão do caçador-recoletor em agricultor-pastor. Aprenderam a pensar, a falar, a comunicar. Inventaram a escrita, erigiram cidades, povoaram a terra. Passaram do estado de barbárie primitiva aos estado de civilização moderna. Fizeram-no por tentativa e erro.

Agora anda por uma horda de kaliphatopithekoi a destruir por onde passam tudo aquilo que outros construíram. A apagar em instantes as marcas de humanidade que as ferramentas criarem em milénios. Usurpadores duma espécie que teimam em negar. Por inversão empedernida do homo sapiens em ignarus. Troglodita empenhado na fundação duma nova era da pedra lascada. Total e definitiva.

5 comentários:

  1. Não consigo compreender a lógica da destruição do nosso passado fisico.

    Onde pretendem chegar com a destruição de monumentos tão antigos.

    É uma tortura ter que assistir, sem que nada se consiga ser fazer, para deter estes homens e mulheres.

    Será possível que Palmira vá ser destruida também?!

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    1. Quando o «kaliphatopithecus» se converteu no «homo ignarus» dos nossos dias, tudo é possível nesta nova era da pedra lascada... :(

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  2. Assistimos atónitos e impotentes à barbárie que não respeita as marcas imponentes das pegadas da evolução do homem no planeta. É assustador pensar que muitos mais monumentos e peças de arte possam cair sob o extremismo que ignora a importância da manifestação da inteligência humana...

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    1. O mais assustador ainda são as vidas humanas que se vão perdendo ao longo desta caminhada insana em nome dum deus único e todo poderoso...

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  3. Cristina Ramos Horta26 de maio de 2015 às 18:25

    Estranhos tempos em que tudo o que era certo, imutável e eterno se torna frágil como uma folha ao vento.

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