3 de agosto de 2015

Livrarias que o vento vai levando

«O livro ainda é a melhor ferramenta da humanidade...»
Carlos Simões - livreiro & alfarrabista
Os meses de férias ainda são os melhores para dedicar à leitura. Dizem. Por todo o lado surgem feiras do livro. Imensas, grandes, médias, pequenas minúsculas. Pouco importa o tamanho. Os factos feitos com letras impressas não têm uma dimensão mensurável com um qualquer metro-padrão em platina iridiada guardado em Paris no Bureau International des Poids et Mesures. Editores e livreiros fazem a festa anual nos diversos municípios que as alojam. Ao ar livre, está bem de ver. A animar as noites quentes de verão.

Faço questão de visitar todos os pavilhões e observar as propostas que me são dadas a observar. Por vezes até encontro um texto há muito procurado em vão nas livrarias tradicionais que frequento desde que me conheço como gente. Olhar com olhos de ver esses conjuntos de folhas de papel com palavras para decifrar e histórias para contar. Ouvir tudo aquilo que têm para dizer. Cheirá-los. Tateá-los. Saboreá-los. Um verdadeiro festim para todos os sentidos. Sem exceção. Sempre que posso, pego num e levo-o para casa.

Prazeres que um dia destes se converterão em meras lembranças dum tempo extinto. Há um ano dei-me conta do desaparecimento de mais uma livraria desta cidade onde vivo. Pátio de Letras e Espaço de Memórias. Onze meses decorridos fui surpreendido com o sumiço duma outra. A Simões. Aquela onde sempre encontrei o tal exemplar que me fazia falta na altura exata. O único alfarrabista de Faro foi alvo de despejo e obrigado a encerrar a atividade. Li-o num jornal. E tudo o vento vai levando sem apelo nem agravo.

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