10 de setembro de 2015

Pedinchas & Promessas

José Malhoa - As promessas, 1933
[Museu José Malhoa - Caldas da Rainha]

Em tempo de promessas, valham-nos as do José Malhoa. Foram pintadas a óleo, retratam uma cena real dum país aldeão, de entre guerras, confiante no poder miraculoso dos intermediários do além. Ofereço-te uma vela se fizeres o que eu te peço. Até vou à tua capelinha a pé. Arrasto-me de joelhos. Só tens de cumprir a tua parte no contrato. Caso contrário nada feito. Viro-me para outra freguesia. Pedir não custa e há sempre um santinho padroeiro dos aflitos em cadeia à mão de semear. 

Em tempo de botar votos, as promessas andam no ar. São proferidas a torto e a direito por dá cá aquela palha. Ciclicamente. O pudor que se cuide. Dou-te isto e aquilo a troco de quase nada. Só te peço uma cruz no quadradinho. A árvore das patacas à mão de semear. As palavras de ordem são gritadas aos quatro ventos. A boa nova espalhada pelas sete partidas deste nosso mundo de desejos por cumprir. Prometer não custa é há sempre um tolo dos quatro costados postado ao virar da esquina.

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