26 de novembro de 2015

Alegorias do bom e do mau governo

Allegoria del Buon Governo & Allegoria del Cattivo Governo

[Sala dei Nove, Palazzo Pubblico, Siena (1338-1339)]
Existe em Siena um conjunto de frescos alegóricos que descrevem o modo como a Baixa Idade Média entendia o desempenho gover-nativo da coisa pública. Foram executadas pelo pintor florentino Ambrogio Lorenzetti (c.1290-1348?) nas paredes da Sala dos Nove do Palácio Comunal da cidade e república italiana. Baseou-se, para tal, na visualização simbólica das virtudes e vícios definidores das práticas do bom e do mau governo.

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Os Espelhos de Príncipes pré-renascentistas tiveram de se adaptar às realidades criadas ao longo dos séculos entre as modernidades clássicas e as pós-modernidades contemporâneas. Rei morto, rei posto. Governo caído, governo erguido. As fronteiras maniqueístas traçadas entre o bem e o mal estiveram sempre longe de viabilizar consensos consistentes e convincentes.

Olhando para os retratos de família dos governos atuais, tirados nos momentos oficiais de maior solenidade, procuro encontrar a tal Perfeição do Político que lhes é exigida. Assinalar a presença dos rostos da Paz, Justiça, Fortaleza, Prudência, Magnanimidade e Temperança. Afastar de cena os rostos da Crueldade, Traição, Maldade, Furor, Divisão e Guerra. Afirmar aos quatro ventos que desta vez é de vez e acertar.

20 de novembro de 2015

Piqueniques, memórias & Internet


RELÓGIO FUNDIDO

Dalí, La persistència de la memòria (1931)
[NY - Museum of Modern Art - MoMA]
Sempre nutri uma simpatia muito especial por piqueniques. Esse gosto deve ter raízes nas aventuras dos famosos cinco que ocuparam as minhas leituras de quase teenager, logo imitados com afinco pela primalhada em tempo de férias no pinhal grande da praia da Areia Branca. Saltando para um tempo mais maduro, recordo um desses convívios de grupo na serra de Sintra com um punhado de colegas e amigos em final de formação académica na grande cidade. O encanto efémero dessa tarde levou-nos a marcar um encontro para dali a uns quantos anos naquele mesmo local. Esqueci-me do combinado e não compareci. Duvido que alguém se tenha lembrado de o fazer. Nem sequer posso confirmar a suspeita, porque lhes perdi completamente o rasto.

Muitos piqueniques passados, voltei ao convívio dalguns colegas de liceu através do mundo virtual da Internet. Pistas perdidas achadas por acaso nas navegações cegas pela blogosfera e redes sociais. Fotos a preto e branco recuperadas pela persistência da memória a saltarem na janela indiscreta do PC doméstico. Os contactos e a atualização de episódios pretéritos foram imediatos. Exumámos das sombras as merendas da quinta-feira da espiga, nas matas das Caldas da Rainha, e as petiscadas do santo chouriço, no adro da ermida de Santo Antão em Óbidos. Tudo ao ar livre. Depois o assunto esgotou-se, o dito e redito instalou-se e os posts findaram de vez. Inexoravelmente. Ficaram os votos rituais de parabéns e de boas festas nas páginas do Facebook.

Voltei a cruzar-me com um rosto perdido há muito no tempo. O MySpace foi o mediador de serviço para fazer a ponte entre dois pontos singulares de devir existencial. Já nos conectámos online e trouxemos a jusante fragmentos das memórias formadas a montante. Trivialidades. Qualquer dia ainda lhe falo duma merienda celebrada com toda a pandilla da altura numa praia fluvial do Tejo espanhol. Provavelmente deixarei este flash com entorno internacional vogar sem destino definido pela Net à escala global. Esperarei que a mensagem chegue ao computador do meu amigo de juventude. Duvido. Os acasos não se fazem por encomenda. Deixariam de o ser. A menos que o insólito entre abruptamente em cena e me venha surpreender. Ya lo veremos...

15 de novembro de 2015

Amin Maalouf, histórias do manuscrito de Samarcanda

«Sais-tu ce qui me fascine dans les sciences ? C'est que j'y trouve la poésie suprême : avec les mathématiques, le grisant vertige des nombres ; avec l'astronomie, l'énigmatique murmure de l'univers. Mais, de grâce, qu'on ne me parle pas de vérité !»
Amin Maalouf, Samarcande (1988)
Amin Maalouf resgatou em Samarcanda (1988) a lenda dos três amigos de Ispahan, antiga capital dos Seljúcidas, que marcaram, cada um à sua maneira, o início do segundo milénio da era comum. Reza a tradição registada em livro e propagada de boca em boca, ter sido o mundo observado por Omar Khayyam (1048-1131), governado por Nizam-el-Molk (1018-1092) e aterrorizado por Hassan Sabbah (1034-1124). O romance centra-se na primeira das personalidades referidas, reservando um papel bastante relativo aos restantes. O geómetra, algebrista, astrónomo-astrólogo, filósofo e poeta renomado, o versejador maldito dos Rubaiyat, toma conta da tessitura narrativa como ator principal, relegando os seus hipotéticos colegas de estudo em Nixapur para a órbita de figuras secundárias a pisarem o palco das ações representadas por palavras escritas.

O vizir persa é lembrado nos dias de hoje por ter sido o obreiro dum Tratado do governo, ensaio equivalente a O príncipe de Maquiavel. O Oriente muçulmano e o Ocidente cristão separados por hiato de quatro séculos de reflexão crítica sobre a arte de construir impérios de forma eficiente e sem olhar a meios para atingir os fins pretendidos. A ação do Velho da Montanha, o missionário fundamentalista que converteu o norte iraniano ao ismaelismo mais ortodoxo, ficou gravada na memória dos homens como a do fundador da Ordem dos Assassinos. Foi ele também o organizador da biblioteca de Alamut, posteriormente destruída pelos mongóis, em cujo espólio se encontraria o livro secreto do poeta do vinho, coletânea que reunia um número indeterminado de ruba’is, poemas de forma fixa compostos por estrofes de duas linhas, com dois hemistíquios cada, centrados na efemeridade da vida, no êxtase do amor e na transcendência humana.

O magnum opus e Prix des Maisons de la Presse 1988 é concebido como um texto de peregrinações incessantes pelas vastas extensões imperiais dos czares russos, xás persas e sultões otomanos, repartido pelo início do século xi e passagem do xix para o xx. Nas duas primeiras partes, traça-se o percurso de vida conhecido do arquiteto subversivo dos versos heréticos e ímpios compostos à luz do livre pensamento. Nos dois restantes, conjetura-se o destino aventuroso seguido pelo original perdido que terá registado com as próprias mãos e lhe concederiam uma celebridade crescente até aos nossos dias. Oitocentos anos de histórias com história dentro, unidos pelas deambulações do manuscrito de Samarcanda, o verdadeiro protagonista do relato. A cronologia dos acontecimentos é confiada a um narrador-interveniente, que se encarrega de informar o leitor, logo no primeiro período-parágrafo por si composto, repousar no fundo do Atlântico o livro cujo percurso acidentado se compromete a contar. Fá-lo abruptamente e sem contemplações. O naufrágio do Titanic, ocorrido na noite de 14 para 15 de abril de 1912, ao largo da Terra Nova, tê-lo-á levado consigo para as profundezas oceânicas. A imaginação ficcional diz-nos que um dia voltará ao seu convívio, esperança efémera que a realidade factual se encarrega de desfazer sem apelo nem agravo.

O desaparecimento sem rasto das mais paradigmáticas criações literárias produzidas pelo génio humano tem levado os fabricantes de sonhos impossíveis a fazê-las reaparecer, meteoricamente, nas obras de faz de conta. Veja-se, por exemplo, o segundo livro da Poética de Aristóteles, perdido na voragem impiedosa do tempo, a ser exumado por Umberto Eco nas páginas d’O nome da rosa, para, logo de seguida, ser devorado por um incêndio ateado muito a propósito na biblioteca abacial que o alojava. O romancista libanês e académico francês procede de modo semelhante com os Rubaiyat. A sensação de perda é tão grande que, neste caso concreto, a ação imoladora das chamas é substituída caridosamente pela ação mais benévola das águas. E os leitores passam a acreditar que a sua recuperação é possível. Entretanto, terão de se contentar com as múltiplas quadras que até nós chegaram em nome de Omar Khayyan. As canónicas e as apócrifas. Vá-se lá saber onde terminam umas e começam as outras. Os restos do grande paquete transoceânico foram descobertos há relativamente pouco tempo. A hipótese de encontrar o exemplar afogado mantém-se vivo. Um dia destes, saberemos pelos mass media ter o baú que o encerra sido encontrado entre os despojos já trazidos à superfície. Que belo momento seríamos então todos convidados a viver...

11 de novembro de 2015

Castanhas e vinho do verão de São Martinho

José Malhoa, Festejando o São Martinho (1907)
[Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado]
     No dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho...
Provérbio popular
Corria o ano de 1504, quando Gil Vicente representou para a rainha D. Leonor de Lencastre o Auto de São Martinho. Tudo se pas-sou durante as festividades do Corpus Christi, provavelmente antes da procissão ter saído da igreja de Nossa Senhora do Pópulo, anexa ao hospital termal que a soberana fundara nas Caldas. A história sobejamente conhecida de todos foi contada em poucas palavras, porque, como confessa o dramaturgo na didascália final, a obra de devoção católica fora pedida muito tarde. Em onze oitavas decas-silábicas, repartidas por duas cenas, o Pobre lamenta-se da sua sorte de indigente e solicita a Martinho esmola, que reparte com o pedinte metade da sua capa. Tudo isto em castelhano, a língua de corte dos Avis-Beja durante pelo menos três quartos de século.

A lenda/milagre terá ocorrido em meados de novembro, altura em que os derradeiros calores estivais começam a ser rendidos pelos primeiros frios outonais. Meia estação conhecida por Verão de São Martinho. Para celebrar essa mudança gradual de temperaturas, costuma celebrar-se o magusto com castanhas assadas regadas com vinho novo ou água-. José Malhoa representou uma dessas festanças pagãs em honra de Dionísio-Baco, numa tela pintada a óleo em 1907. A popularidade que granjeou na época manteve-se intacta até aos nossos dias. Os excessos realistas documentados no quadro levaram a ser conhecido alternativamente como Os bêbados. Título adequado para descrever com uma imagem aquilo que as tais mil palavras seriam incapazes de traduzir cabalmente.

7 de novembro de 2015

Armando Silva Carvalho & Maria Velho da Costa, o livro do meio ou das ligações perigosas

«Ensaiemos pois, em silêncio, o percurso do nosso dueto, a ouvir o Scarlati.»
Armando Silva Carvalho & Maria Velho da Costa, O livro do meio (2006)
Sempre ouvi dizer que Lisboa é uma grande aldeia, onde todos se conhecem ou fingem ignorar, onde uns e outros cultivam, sem exceção, os seus amores/ódios de estimação. Mais os segundos do que os primeiros, como convém. Os profissionais da escrita não fogem a esta regra de ouro do escárnio e maldizer nacionais. A diferença é que o fazem com uma inequívoca e inexcedível mestria. E nós, pobres mortais, sedentos de palavras bonitas (mesmo quando dizem coisas feias), até aplaudimos. Há séculos que o fazemos impunemente.

Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa recorreram a esse velho hábito que a tradição canonizou. Fizeram uma incursão combinada à meninice, cartearam-se durante alguns meses e alinharam um romance epistolar, a que chamaram O livro do meio (2006). Aquele que se situa no cruzamento de duas escritas estripadas de todo o tipo de preconceito, concebidas ao jeito de uma «marquise de Merteuil» e dum «vicomte de Valmont», personagens novelescas criadas por Pierre de Laclos nas Liaisons dangereuses (1782); ou à imagem e semelhança da experiência que a autora tivera na composição das Novas cartas portuguesas (1972), integrada no grupo das «Três Marias»; ou do autor na tradução da Correspondência a três (2006), que Rilke, Pasternak e Tsvétaïeva terão partilhado no verão de 1926. Títulos frequentemente citados e glosados no decorrer dos diálogos travados à distância e em fragmentos repartidos.

As fontes de inspiração seguidas pelo dueto terão servido de perfeito álibi explicativo de muitas das liberdades tomadas nessas memórias feitas de realidades pretéritas, atualizadas ao sabor do momento, de cumplicidades pressentidas, mas nunca reveladas na sua totalidade. O leitor é confrontado com um discurso entremeado de claros subentendidos e de aparentes evidências que terá de enfrentar do lado de «fora do Livro», com toda a perícia que consiga agilizar para desenlear os fios da meada. A tarefa é árdua, mas os resultados deveras compensatórios. É que a fruição plena do prazer da leitura não tem preço.

As referências às obras de um e de outro são constantes. As apreciações que suscitaram aos críticos encartados do trabalho alheio ou de fazedores de ideias feitas são o pretexto para os mais inspirados jogos de disfarces encenados nas cartas. Os remoques satíricos dirigidos a todos aqueles que alguma vez se lhes tenham atravessado no caminho são impiedosos. É que «um puritano da boca é uma criatura perigosa». Os nomes são substituídos por siglas anódinas e epítetos sonantes, mas a força das descrições fornece-nos a chave das charadas sem grande esforço de descodificação. Que o digam a «Académica», a «Mnemónica» ou a «Embaixatriz».

Resumir essa longa conversa travada entre dois amigos de longa data, esse coloquialismo intimista, seria uma traição que nenhum deles mereceria. A menos que nos limitemos a dizer que se trata dum livro que fala de arte e artistas, de música e compositores, de cinema e cineastas, de livros e autores, que fala, inevitavelmente, da vida e morte das paixões. É um livro que pretende promover uma perigosa colaboração de classes, aquelas que cada um dos signatários das missivas representou nas origens. Ela a emergir duma média burguesia urbana do Bairro Azul e Janelas Verdes, a saltitar entre a Casa dos Gritos e o Palácio das Madres ou das Escravas do Sagrado Coração de Jesus; ele a fugir dum proletariado rural remediado duma aldeia cinzenta do litoral oeste, a saltitar entre a Casa dos Choros e a Escola do Paraíso ou externato pobre para meninos ricos.

No final do percurso retrospetivo às Casas da Infância, o cansaço dos caminhantes é notório. A escrita ressente-se da penosa caminhada. Armando Silva Carvalho despede-se entoando o canto do viandante e das sombras. Maria Velho da Costa convocando o sangue, coalhado e vivo. Pela parte que me toca de mero leitor, de anjo ou demónio desconhecido, com muita saudade de os ter visto acenar o lenço pela última vez, de os ter visto partir e de não continuar a desfrutar do prazer da sua presença. Arrebatadora, inebriante, sublime. Como sempre.

NOTA:
De repente apeteceu-me revisitar este exercício dialogado de escárnio e maldizer, trazer para este espaço uma texto publicado há meia dúzia de anos no Pátio de Letras. Dei-lhe uns retoques formais de menor importância e parti à procura na estante de guardar livros deste repositório de memórias gizado em forma de romance epistolar. Vou reler calmamente alguns dos fragmentos mais acutilantes desta escrita feita de cumplicidades partilhadas...

3 de novembro de 2015

Os Cinco e a Super-Homem

Enide Blyton, Os cinco (1942-1963)
[Série antiga portuguesa]
Quando os alunos ainda tinham alguma imaginação criativa, costumavam dar uma alcunha sugestiva a cada um dos seus professores mais carismáticos. Depois deixaram-se disso. No meu percurso de vida já fui brindado com alguns particularmente acutilantes e já mimei muitos dos meus se'tores com aquela palavrinha mágica de efeito catártico imediato. O significado de cada uma delas é, regra geral, imediato. Fico-me aqui com um único caso, o da terrível Super-Homem, a minha muito viril mestra de português no ciclo preparatório, no início dos anos sessenta.

Exemplo acabado da magister dixit dos tempos áureos da outra senhora, usava e abusava do baculum justiceiro para impor os seus métodos pedagógicos baseados na ponteirada e no puxão de orelhas. Do muito que terei aprendido com esse método infalível, só me terá ficado o vernáculo carroceiro com que os conteúdos me eram transmitidos. Ficou-me também memória daquela ideia inusitada na época de organizar uma biblioteca de turma. As obras eram compradas pelo coletivo e ao gosto de todos. Bom, depois de passarem pelo lápis azul invisível da pedagoga com pelo na venta.

Um dia calhou-me no sorteio o volume inicial da série mais famosa de Enid Blyton, Os cinco na ilha do tesouro. O entusiasmo pela descoberta foi tal, que só parei depois ter viajado por todas as aventuras disponíveis na biblioteca municipal ou na carrinha da Gulbenkian. Nos intervalos ainda visitei os títulos mais chamativos de Jules Verne, os romances ilustrados de autores famosos ou os relatos juvenis de Adolfo Simões Müller. O meu gosto compulsivo pela leitura terá começado aí, voluntário e sem o chicote castigador da mestre coriácea com nome reinventado de super-heroína.

1 de novembro de 2015

Bruxas e Pão-por-Deus

J. Bosch, Tentações de Santo Antão (pormenor) c. 1500,
[MNAA. Fotografia: DGPC/ADF/Luísa Oliveira]

Em tempos que já lá vão, amadurecia eu então os meus verdes anos na Estremadura, a que agora chamam com todas as letras Oeste, costumava celebrar o pão-por-deus com toda a pompa e circunstância exigida pela tradição. Todas as manhãs do primeiro dia de novembro, aquele que a crença popular dedicava a todos-os-santos, conhecidos ou desconhecidos. Toda a criançada da rua partia em bando, a bater à porta da vizinhança, na expectativa de encher o pequeno saco de chita com que cada um se havia munido com uma guloseima teoricamente destinada aos fiéis defuntos.

Recordo-me também do cerimonial que celebrava na véspera com o meu irmão em casa da nossa avó materna. Depois de termos escolhido uma abóbora amarela bem redonda, começávamos a talhar uma caveira tenebrosa. Cortávamos com uma faca de bico quatro orifícios bem desenhados: dois redondos para os olhos, um triangular para o nariz e um recortado para a boca meio desdentada. Extraíamos as sementes com todo o cuidado. No interior colocávamos uma vela de cera que seria acesa no final do dia e iluminaria a noite dita das bruxas num dos muros do quintal.

Perdi o contacto com os cenários da minha infância. Desconheço se o costume ancestral se mantém. Duvido que assim seja. Em terras algarvias de cultura urbana nunca vi em nenhuma janela enfeitada com uma cabeça de bruxa ou um saco de pão-por-deus pendurado na mão de nenhuma criança. Como diz o rifão popular: cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso. Diz-me aquele dedo que adivinha andar o país inteiro a imitar a prática anglo-saxónica do Halloween das «doçuras ou travessuras». Digam-me que estou enganado e que a identidade cultural ainda conta...