4 de janeiro de 2016

Faça-se luz!

FIRECRACKER 

I Begyndelsen skabte Gud Himmelen og Jorden. | Og Jorden var øde og tom, og der var Mørke over Verdensdybet. | Men Guds Ånd svævede over Vandene. | Og Gud så, at Lyset var godt, og Gud satte Skel mellem Lyset og Mørket,
GENESIS 1:1-4
Os festejos vikings da passagem de ano iniciam-se mais cedo na Dinamarca. Logo após a consoada, o fogo-de-artifício começa a estalar nos jardins particulares e nos arruamentos públicos que lhes dão acesso. Preso, rasteiro, solto. Três a cinco segundos no máximo. Efémero. O tempo duma dúzia de estalidos ruidosos. A luz surge no meio duma nuvem de fumo a cheirar a pólvora queimada. E todos ficam felizes com estas sinestesias sentidas à distância.

Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso. Diz o ditado cheio de razão. Depois São Silvestre chega e as bordbombs caseiras entram em cena. Heróis duma peça singular representada no enterro do ano-velho. Pequenos, médios, grandes. Cuspidores de serpentinas coloridas. Barulhentas. Iluminadas pelos relâmpagos dos foguetes lançados no exterior. Incessantes. Convite para beber um glögg bem quente e ir assistir ao espetáculo ao ar vivo.

Trovoada festiva desde as quatro horas da tarde. Sem parar até que a noite se faça dia outra vez. E os céus do país da Sereiazinha, do Patinho feio e da Menina dos fósforos acendeu-se como no princípio bíblico dos tempos. Haja luz! E fez-se luz... E as trevas foram derrotadas. Estrondosamente. Em miríades de estrelas-cadentes a anunciar o ano-novo. E o espumante explodiu. Exuberante. Comeram-se as doze passas e desejou-se Godt Nytår.

3 comentários:

  1. Interessante! A última vez que fui a Copenhaga foi há mais de doze anos e a lembrança que tenho da passagem de ano não é assim tão iluminada. Não me admira nada que o fogo de artifício tenha ganho mais adeptos com a passagem dos anos. Afinal, aqui na minha zona, o fogo começou no meio da tarde e prolongou-se até cerca das duas e meia. Honestamente, o cheiro de pólvora queimada acabou por me deixar agoniada...

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  2. Que interessante!
    Como disse "Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso", contudo,parecem existir certos pontos em comum: o fogo-de-artifícío, o barulho, a luz. É curioso!

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  3. Foi a primeira vez que assisti a este festival de luz e devo garantir que é impressionante. Uma experiência avassaladora que, segundo as fontes disponíveis, se repete todos os anos com a mesma intensidade. Fez-me lembrar o fogo-de-artifício do Funchal. Mas este dura horas e corre à conta pessoal dos dinamarqueses. As autarquias não têm de se preocupar com os gastos fabulosos envolvidos no empreendimento...

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