25 de junho de 2016

Bye-bye, farewell, cheerio Britannia...

Rule Britannia 

Nostalgia Puzzles

[wentworthpuzzles]

Os bárbaros andam por aí...

πας μη Ελλην βαρβαρος
[quem não é grego é um bárbaro]

Os Gregos antigos designavam de «bárbaros» (βάρβαρος) todos aqueles povos que não pertenciam à Hélada, i.e., que não descendiam do herói epónimo Heleno, que não falavam um dialeto helénico e que não partilhavam o panteão dos helenos. Significava, grosso modo, estrangeiro.

Os Romanos conquistaram a Grécia pela força das armas e foram derrotados pela força das ideias. Adaptaram o conceito de «paideia» (παιδεία), i.e., o sistema de educação e formação ética herdada de Atenas, generalizaram o termo e alargaram-no ao conceito de não-romano ou incivilizado.

A «xenofobia» (ξενοφοβία), i.e., a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, levou a grande cidade-estado fundada por Rómulo e Remo a alimentar uma guerra constante com os Bárbaros, o que levaria à sua queda e fragmentação de toda a România. Seguiram-se-lhe 500 anos de caos.

A Europa das nações nascentes mergulhou numa sucessão de guerras civis ininterruptas que só começou a abrandar nos últimos 60 anos com o Tratados de Roma de 1957. A  UE tem garantido um longo período de paz e entendimento entre os povos que a formam «unidos na diversidade».

O horror aos bárbaros invadiu o Reino Unido. O Brexit votado pelos seus cidadãos ditaram o adeus à União Europeia. A nação que colonizou meio mundo fechou a porta aos imigrantes invasores. Ironia trágica que poderá levar ao desmembramento da própria Britannia. Alea jacta est...

2 comentários:

  1. Horror aos "bárbaros" que se afirma noutros países europeus, o que não augura nada de bom para os próximos tempos...

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  2. Maria da Conceição Andrade26 de junho de 2016 às 22:31

    A xenofobia poderá ter sido o principal motor do "Brexit", mas também as tecnocracias, as mercadologias e a visão economicista e (até) usurária dos euroburocratas. Tão longe dos ideais primordiais da UE!... Lembrei-me do João Aguiar e de "Enfim, o Paraíso", que tantas vezes explorámos nas nossas aulas.
    Fiquei triste, sobretudo quando vi que a maioria dos votos para o "leave" veio da geração mais velha!

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