23 de novembro de 2016

As titânides e os exercícios do poder

J. Howard Miller, We can do it! (1943)
[Westinghouse Electric Corporation]


A fortuna de querer pouco e poder muito...


Dilma Rousseff queria ser a Angela Merkel da América. Os planos saíram-lhe furados. A presidente brasileira que também queria ser conhecida por presidenta já não é nem uma coisa nem outra. O impeachment vitorioso afastou-a das ribaltas do poder nos tempos mais próximos enquanto a chanceler alemã lá continua de pedra e cal a ditar ordens a uma Europa submissa. Diz-se por aí que foi um golpe orquestrado por Michel Temer que agora lhe sucedeu no palácio do Planalto. Calúnia/verdade, vá-se lá saber...

Hillary Clinton queria ser a primeira mulher-presidente dos EUA. Os projetos foram-se por água abaixo. A ex First Lady que também queria converter o marido no primeiro First Gentleman do país falhou nas duas direções. O déjà vu democrata da candidata saiu derrotado no confronto com o jamais vu republicano do opositor. Dizem algumas línguas viperinas que os eleitores preferiram a demagogia dos novos senhores da Casa Branca à arrogância dos seus antigos inquilinos. Visto deste prisma, se calhar até têm razão...

Theresa May queria manter os domínios do RU na UE. O resultado do Brexit trocou-lhe as voltas. A militante da oposição deu o dito por não dito quando assumiu a chefia do governo. Terá de medir o seu talento retórico de primeira-ministra inglesa com o da sua homóloga escocesa. É que nesta guerra de titânides, Nicola Sturgeon até pode alcançar uma dupla façanha, manter-se unida a Bruxelas e separada da tutela da Londres. Isabel II que se cuide. Um dia destes ainda acorda rainha da Mini-Bretanha. Quem viver verá...

3 comentários:

  1. Hó realidade mais indigesta! Tem razão, Artur...

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  2. À Angela Merkel, que muito quer e muito manda, bem que poderia acontecer algo semelhante, que a Europa já mal se aguenta...

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