2 de fevereiro de 2017

Fadário & Alvedrío

Michelangelo Buonarroti - Creazione di Adamo (circa 1511)

[Cappella Sistina, Musei Vaticani, Città del Vaticano]

Entre Thánatos & Kéres


O homem está condenado desde o início dos tempos a nascer, viver e morrer. Até ao final dos tempos continuará a ser assim. Ninguém é imortal, nem sequer os deuses e os heróis. Estes necessitam de ser lembrados pelos mortais para existirem com caráter indefinido. Caso contrário, desapareceriam do nosso horizonte de referências. Afinal, dizer que o Homem foi criado à imagem e semelhança de Deus acaba por ser uma forma encapotada de dizer que os deuses foram feitos à imagem e semelhança dos homens. Não daquilo que de facto são mas sim daquilo que gostariam de ser.

O homem está condenado a ser livre. Defende o existencialismo ma-terialista de Jean-Paul Sartre. Livre, porque depois de ter nascido passa a ser responsável por tudo o que fizer em vida. Até de deter-minar o momento da morte. O fadário iniciado com um ato em que não foi perdido nem achado pode ser corrigido com o alvedrío que a razão lhe ditar. Ninguém nos perguntou se queríamos dar entrada neste mundo do ser mas também ninguém nos pode impedir de antecipar a nossa partida para os domínios do nada. Preferir o toque suave de Thánatos ao trespasse violento das Kéres.

3 comentários:

  1. Prof., é uma maneira bem poética e pedagógica de descrever a nossa passagem neste mundo, salientando a o nosso direito a uma morte digna!

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  2. Maria da Conceição Andrade10 de fevereiro de 2017 às 18:37

    Tema controverso, o da eutanásia!... De acordo com o livre arbítrio, mas não é apenas a vontade e o desejo do "paciente"... E a vontade do "administrador"?... Uma coisa é deixar fluir, sem "encarniçamento" dos atos médicos, procurando aliviar o sofrimento, outra pedir que se induza a morte e "obrigar" os profissionais da saúde a esta prática. Concordo, a priori, contigo, mas consigo perceber o problema deontológico dos médicos.

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  3. Ninguém deve ter o direito de "escolher" a nossa partida. Já nós conscientemente devemos ter o direito de escolher.

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