6 de fevereiro de 2017

O rodízio do Africano

RODÍZIO DE D. AFONSO V

Tapeçarias de Pastrana - Cerco de Arzila (séc. xv)
[Colegiada de Pastrana - Espanha]

As mensagens subliminares, guardadas no corpo e na alma das divi-sas reais, dão histórias fabulosas, quando nos pomos a decifrar os segredos seculares que as envolvem. A empresa de D. Afonso V (1432-1481) enquadra-se nesta categoria. Um rodízio a derramar go-tas, acompanhado dos dizeres VII e e o lema Jamais. Mistérios das cabeças coroadas.

Ao que parece, tudo se resume a uma jura de amor que o monarca terá feito ao enviuvar de D. Isabel de Coimbra (1432-1455). Tinham ambos 23 anos e estavam profundamente apaixonados. Jamais vol-tarei a amar. Terá dito ou pensado. Vá-se lá saber. A verdade é que se viria a casar com Joana de Castela em 1474. Contradições que a alta política dita.

As gotas vertidas seriam lágrimas de saudade ou de contrição. Tan-to faz. O E associado a rodizío permitiria a leitura de duas pala-vras: Erro dízio. Mais uma promessa solene a que o Africano se obrigava. Revelar sempre em confissão todos os VII pecados capi-tais que cometesse. Explicações engenhosas para um enigma que a história consagrou.
   

1 comentário:

  1. Interessante dedução, Prof., sobre um estandarte bem sui generis. Foi um amor efémero mas imortal por ter ficado gravado na história...

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