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8 de dezembro de 2014

Estudar ou não estudar

LUÍS ANTÓNIO VERNEY

(Lisboa, 1713 — Roma, 1792)
Quanto à necessidade, eu acho-a grande que as mulheres estudem. Elas, principalmente as mães de família, são as nossas mestras nos primeiros anos da nossa vida: elas nos ensinam a língua; elas nos dão as primeiras ideias das coisas.

E que coisa boa nos hão de ensinar, se elas não sabem o que dizem? Certamente que os prejuízos que nos metem na cabeça, na nossa primeira meninice, são sumamente prejudiciais em todos os estados da vida; e quer-se um grande estudo e reflexão para se despir deles. 

Além disso, elas governam a casa, e a direção do económico fica na esfera da sua jurisdição. E que coisa boa pode fazer uma mulher que não tem alguma ideia de economia? 

Além disso, o estudo pode formar os costumes, dando belíssimos ditames para a vida; e uma mulher que tem alguma notícia deles po-de, nas horas ociosas, empregar-se em coisa útil e honesta, no mes-mo tempo que outras se empregam em leviandades repreensíveis.

Muito mais, porque não acho texto algum da Lei, ou Sagrada, ou Profana, que obrigue as mulheres a serem tolas; e não saberem falar.
Luís António Verney, Verdadeiro método de estudar (1746)