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| Œufs de Pâques Fabergé |
Se o bolo-rei e as filhós são imprescindíveis no Natal, o folar e as amêndoas são-no na Páscoa. Nenhuma dessas doçarias se faz sem a presença dos ovos, mas na festividade maior da liturgia católica têm uma simbologia muito especial. Representam o renascimento, a renovação, a redenção. Fora do âmbito cristão, estão intimamente associados aos ciclos anuais das estações. A vida que é morte, a morte que é vida. Indissociáveis. O inverno que já foi outono que passa a primavera que será verão. A natureza a revezar-se, através dos 365 dias e 6 horas que a Terra leva a dar uma volta completa em torno do Sol no movimento de translação repetido anualmente.
O ovo inteiro cozido deitado num bolo ou pão cozido, coberto com uma cruz feita com a mesma massa, representa no FOLAR o berço e a tumba, o nascimento e a morte, a ressurreição para a vida eterna. As AMÊNDOAS cobertas de açúcar ganham um significado alegórico complementar, por estarem ligadas à passagem rápida da infância para a velhice, à ligação indissociável da vida e da morte, já que são as primeiras a florescer no novo ano solar, na passagem dos dias invernais de janeiro-fevereiro para os primaveris de março-abril. Certeza da regeneração da natureza e esperança da salvação da fragilidade e delicadeza da finidade da existência humana.
Na minha meninice estremenha, havia o hábito de os padrinhos darem aos afilhados um pacote de amêndoas no domingo de Páscoa. Surtidas e coloridas, simples e recheadas, de aromas e de chocolate. Lembro-me das enormes caramelizadas de açúcar mascavado e das miúdas recheadas da anis. Ignoro se essa prática se continua a manter ou não na minha região natal. Cá por estas bandas meridionais, os ovos visíveis no berço/tumba não figuram nos folares locais e as amêndoas só aparecem em profusão nos expositores das pastelarias e supermercados. O comércio não se lembrou ainda de reanimar esta tradição esquecida de dar prendas.
Mitos e lendas costumam andar de mãos dadas adaptando tópicos globais às realidades locais. Altura para perguntar até que ponto a alegada ressurreição de Cristo não anda ligada ao regresso de Dioniso do reino da morte e da sua ascensão ao Olimpo como deus imortal. Menos sorte teve Atahualpa de voltar a nascer como o Sol todas as manhãs ou de Gilgamesh de devolver a vida a Enkidu. Particular o caso de Orfeu que quase resgatou Eurídice do Tártaro, se a curiosidade de a olhar antes de atingir o mundo superior o não tivesse traído, ficando assim provado que o poder de derrotar a morte não é um dado adquirido, nem para as semidivindades.
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| FOLAR DE PÁSCOA ESTREMENHO Pastelaria Alcoa |


