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6 de setembro de 2025

Silêncios em contracorrente

Joseph Ducreux, Le silence (1790)
[Nationalmuseum, Stockholm]

O n . z e . n á . r i . O

A palavra é de prata, o silêncio é de ouro...

Grito em silêncio histórias discretas para serem ouvidas no mais absoluto sossego por um ouvinte avaro de frases ditas ou escritas.  

Registo pausas entre notas musicais para serem sentidas em silêncio nas entrelinhas duma partitura composta num qualquer andamento.

Persigo os claro-escuros barrocos das palavras lidas ou olhadas em silêncio no jogo dinâmico das sombras e luzes que lhes dão vida.

Desenho com abertos e fechados a rede infinda numa constante magia tecida em silêncio na divisa indelével entre o tudo e o nada.

Digitalizo no intervalo dos dias e das noites um anuário contido de mutismos vozeados e calados em contracorrente até ao silêncio final.

Joseph Ducreux, Le discret, 1790

6 de setembro de 2024

Decénios em contracorrente

D e c é . n i . O

Quando passamos os sete decénios de existência, temos muitas histórias para contar e eu já contei algumas aqui nestas histórias digitais. Se os fados para estiverem virados, algumas mais haverá para encher os dias, meses e anos que cabem num novo decénio de histórias. Assim o Arthur d'Algarbe tenha engenho e arte para o fazer.

Uma década recheada com histórias aos quadradinhos, com artes, astros, filmes, história, livros, música, números, palavras, sentidos, histórias de televisão, hospital, vida histórias em contracorrente e tutti quanti, dum cavaleiro de cavalarias trazidas das histórias noveladas de mundos imaginadas para as histórias centradas no mundo real.

Estante de livros já lidos e relidos com história dentro, livros de crónicas feitas, de ensaios escritos, de fotos tiradas, de memórias lembradas, de vidas vividas; livros matriciais antigos, clássicos e atuais, daqui e dali, um pouco de todo o lado; versos ao gosto lírico, épico e dramático; prosas em forma de conto, novela e romance.

O encerramento duma livraria foi o ponto de partida para a abertura em contracorrente destas histórias de faits divers q.b., baseado numa novela de cavalaria medieval gaulesa. Viro a página desta década a referi-la, para que as emoções da aventura então encetada propiciem uma nova etapa de escritas e leituras em conta-corrente.

6 de setembro de 2023

Rotinas em contracorrente

Pam Wenger, Morning Routine (2020)
[Wall Art ‒ fineartamerica]

                   Noves fora nada...                    

Sometimes the writer must ask himself whether what he has written has any value except to himself...

Voltei às minhas rotinas em contracorrente do pós-férias de verão em tempos ditas grandes. Retomei o cantar & ouvir com horário fixo e mantive o ler & escrever e o blogar & comentar com horário livre.

Deitei para trás das costas os noves fora nada que já leva este espaço de histórias ditas em conta-corrente flexível e prossigo esta caminhada de anuário rumo à primeira década de vida real e virtual.

Peguei na reflexão do W. Somerset Maugham feita em jeito de Exame de Consciência e resolvi compor algumas palavras mais sobre o tudo e coisa nenhuma que vão tendo algum sentido para mim. Até ver.

6 de setembro de 2022

Ramerrames em contracorrente

Swim against the tide
[Imagens Google]

       Natações plenas contra a maré       

Ler e escrever para o prazer do momento. A posteridade não existe no instante presente. O prazer das palavras refaz-se em cada ver-balização que fazemos. Nunca se repete. Está sempre a inventar-se.

É raro voltar a ler o um livro várias vezes. Há tantos outros para ler e descobrir. É raro voltar a ler um escrito há muito lido, relido e treslido. Há tantos outros para escrever, reescrever e transcrever.

Os blocos passaram de moda e todavia por aqui me mantenho. Paliativo ideal para entreter a solidão e suprir a falta de parceiros com quem falar. Cada um elege os trilhos por onde quer caminhar. 

Ramerrames em contracorrente para dar sentidos ao tempo num es-paço confortável. Miragem recorrente de preencher o vazio dos dias. Subterfúgio repetido a garantir uma natação plena contra a maré.

 cd

Após oito anos a remar contra a corrente de histórias contadas e por contar a aventura continua. Deita-se o 8 do equilíbrio cósmico e temos o do infinito divino, atrás do 9(s) fora nada dum talvez tudo.

6 de setembro de 2021

Palavras em contracorrente

VINCENZO FOPPA
Fanciullo che legge Cicerone
Affresco staccato dal Banco Mediceo a 
Milano, c. 1464
[London, The 
Wallace Collection]
« Sept correspond aux sept jours de la semaine, aux sept planètes, aux sept de-grés de la perfection, aux sept sphères ou degrés célestes, aux sept pétales de la rose, aux sept têtes du naja d'Angkor, aux sept branches de l'arbre cosmique et sacrificiel du chamanisme [...] Il symbolise un cycle complet, une perfection dy-namique. Chaque période lunaire dure sept jours et les quatre périodes du cycle lunaire (7 x 4) ferment le cycle. Philon observe à ce propos que la somme des sept premiers nombres (1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7) arrive au même total : 28. Sept indique le sens d'un changement après cycle accompli et d'un renouvelle-ment positif. »
J. Chevalier et A. Cheerbrant, Dictionnaire des symboles : Mythes, rêves, coutumes, gestes, formes, figures, couleurs, nombres. Paris : Robert Laffont – Jupiter, 1969, 1982 (860a)

 NU Á RI O

Conta-corrente entre livros, escritas & leituras

A gestão dos ais foi mitigada nesta sétima temporada no blogue com o recurso às leituras, às escritas e aos livros, com a música, a arte e o lazer em pano de fundo. Devorei o Quarteto de Alexandria do Lawrence Durrell e o 1Q84 do Haruki Murakami, deliciei-me com a criatividade da Pina Bausch, sobretudo no Kontakthof para damas e cavalheiros acima dos 65, descobri a Sinfonietta do Leoš Janáček e aprendi muito sobre as Poses: linguagem corporal na arte.

O déjà vu de 2020 estendeu os seus tentáculos até 2021. Os anos atípicos do SARS-CoV-2 teimam em manter a sua presença viral dia após dia, semana após semana, mês após mês, vaga após vaga, máscara após máscara, teste após teste. Ininterruptamente. Sem parar. Trouxeram consigo uma conta-corrente ainda mais intensa de livros, escritas e leituras. Nem tudo se pode dar como perdido por completo nesta visita prolongada sem fim à vista. Até quando...

cd

As Histórias d'Arthur d'Algarbe cumprem hoje sete anos de vida e a vontade de continuar é tão forte como no primeiro dia. Se possível sem pandemias virais a contaminar os novos ciclos que se perfilam no horizonte. Que venham como ventos de mudança, anunciadores da permuta há muito tempo desejada, a animar-nos a existência, com muita música no ar, a motivar-nos para a leitura de mais livros, a inspirar-nos sempre para novas escritas e vivências.

6 de setembro de 2020

Neurónios em contracorrente

Cérebro: mais vasto que o Céu

Cérebro: mais vasto que o Céu

[Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa (2019)]

A.NU.Á.RI.O

Quando as palavras começam a escapar-nos da fluência verbal falada, urge recuperá-las uma a uma por meio da cadeia gráfica das sonoridades escritas.

Quando a condição física começa a falhar-nos por complicações de saúde inesperadas, urge contrariá-las através do recurso firme à dimensão psíquica.

Quando as memórias teimam em desvanecer-se por diminuição da massa pensante, urge reanimá-la pondo os neurónios adormecidos a trabalhar a todo o gás.

Quando os planos de vida faltam e os tempos livres sobejam, urge contar umas historietas em contracorrente para colmatar os hiatos que os separam.

Quando um blogue cumpre os seis anos de idade, urge celebrar a data com um feliz aniversário e votos que se mantenha de pé por muitos e muitos mais... 

6 de setembro de 2019

Historietas em contracorrente

P     E     N     T     A     G     R     A     M     A

cinco anos cumpridos no dia de hoje decidi abrir este blogue de contar historietas em contracorrente. O Pátio de Letras & Espaço de Memórias juntara-se ao crescente número de livrarias que o vento vai levando e o escrevinhador de textos depois de lidos os livros a cheirar a tinta mudou-se de armas e bagagens do Leya no Pátio para aqui. 

Iniciei estas Histórias d'Arthur d'Algarbe com uma conta-corrente em contracorrente. Seguiram-se outros microtextos publicados ao sabor da correnteUma aventura que conta com um acervo de 467 posts e se prepara para dar vida a muitos mais. Assim não me falte o engenho e arte que o gosto pela leitura e escrita está assegurado.

6 de setembro de 2018

Escritas em contracorrente

le trèfle à quatre feuilles


É dito e redito que o número quatro é tido e retido por muitos como símbolo da orientação cósmica e do cruzamento de vias. Pitágoras utilizava-o como referência matemática do nome de Deus. Na sua perfeição divina, indica-nos os quatro pontos cardeais, as quatro estações do ano, os quatro elementos, os quatro humores. Rapa-tira-deixa-põe, muito-pouco-tudo-nada, paus-copas-espadas-ouros, quente-frio-morno-gelado. Et tutti quanti... 

Iniciei há quatro anos estas escritas em contracorrente, por artes de berliques e berloques, a torto e a direito, de fio a pavio, de alto a baixo. Um quadriénio de letras e tretas, coisas e loisas, ditos e dicas, alhos e bugalhos. As guerras de alecrim e manjerona, as lérias e balelas, as fitas e tricas, o cozido e assado têm assinado o ponto aqui no blogue com nome de novela de cavalaria. O trevo de quatro folhas tem andado por aí. Audaces fortuna juvat...

6 de setembro de 2017

Persistências em contracorrente


O tempo é o melhor juíz de todas as coisas, afirma o ditado popular com toda a razão que a cultura popular lhe costuma conceder. Por algum motivo se recorre sempre nestas ocasiões à sentença latina que diviniza cabalmente essa tal sabedoria imemorial, mãe de todas as ciências: Vox Populi, Vox Dei...

O Arthur d'Algarbe anda há três anos agora completados a contar histórias, pessoais e alheias, em contracorrente e com persistência. Histórias aos quadradinhos, com arte e com filmes. Histórias com história. Com livros, com música, com números, com palavras, com sentidos. Histórias de vida e de morte...

Histórias do tudo e do nada. Histórias em conta-corrente. Banhas-da-cobra. Diário-de-bordo. Conto-a-conto. Verso-a-verso. Extractus e faits divers. Livrarias & Livreiros. Mitos & Contramitos. Equinócios & Solstícios. Efemérides-Retóricas-Helénicas. Um diz que disse para todos os anuários. Agora e até ver...

6 de setembro de 2016

Anuário em contracorrente

a·nu·á·ri·o
substantivo masculino
«Publicação anual»
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

As Histórias d'Arthur d'Algarbe cumprem hoje dois anos de existência na blogosfera. É altura de lhe dar os parabéns. Traga-se o bolo de aniversário. Acendam-se as velas comemorativas e apaguem-se de seguida com um só sopro. Cante-se a cantiguinha do costume e batam-se palmas de alegria. Abra-se a garrafa de espumante. Hip-hip-hurra! Que seja feliz e tenha muitos anos de vida. Que coza o forno e siga a festa. Cumpra-se o cerimonial da conta-corrente em contracorrente. Dê-se sentido ao anuário do real em espaço virtual...

6 de setembro de 2015

Navegações em contracorrente

 
Sed fugit interea, fugit irreparabile tempus, singula dum capti circumuectamur amore...
Vergilius, Georgicon, (29 AEC: III-a, 284-285)
Os blogues passaram de moda. Deixaram de existir como entidades autónomas. Foram substituídos pelas redes sociais que os divulgam como forma de resistência às mudanças do mundo.

As Histórias d'Arthur d'Algarbe nasceram há um ano. Sobreviveram à conta-corrente do tempo. O primeiro ciclo de vida cumpriu-se. As navegações em contracorrente venceram ventos e marés.

As visitas a bordo são recebidas pelo capitão-mor de braços abertos. O verbo é raro. No livro das caras as palavras são mais fáceis. Trago- -as emprestadas para aqui. E assim a rota se vai traçando.

6 de setembro de 2014

Conta-corrente em contracorrente

LE REPAS DE FÊTE
Histoire d'Olivier de Castille et d'Artus d'Algarbe
(Paris, BnF)
Abrir um blogue numa altura em que as redes sociais conquistaram o ciberespaço é mesmo andar a contracorrente. Sobretudo quando se é um leigo na matéria e o universo do virtual está sempre a tropeçar com os mecanismos de leitura e escrita há muito adquiridos do mundo real.

O nome escolhido para lhe dar voz surgiu do título dum romance de cavalaria que encontrei por acaso numa viagem de descobertas pela NET, L’histoire d’Olivier de Castille et d’Artus d’Algarbe (1474). Presumo tratar-se dum dos protagonistas do livro que até ao momento ainda não visitei.

As histórias que este Arthur d'Algarbe tem para contar dependem das caminhadas que for dando por aí, pela república das letras e reinos vizinhos. Sem precipitações e ao sabor da pena. Apresentadas como uma conta-corrente por partidas simples ou dobradas das impressões de percurso.