QUINTA-FEIRA DA ESPIGA
Fiz uma pausa a meio da manhã e fui colher o meu ramo votivo do dia. Dei uma volta pelo campus e recolhi umas espigas de cereal bravio, uns malmequeres, umas papoilas, juntei uma poda de oliveira e uma outra de alecrim, envolvi-os numas folhas de videira e acrescentei um arbusto de pimenta-da-índia ainda em flor, para dar um pouco de sabor ao todo recolhido. Tirei um fotografia ao conjunto e transformei o real em virtual aqui na Net.
Pelo sim pelo não, vou deixar o ramalhete a secar atrás da porta, como reza a tradição, de modo a garantir o pão, a fortuna, o amor, a paz, a saúde, a alegria e a malícia no ano que me resta permanecer ainda nestas bandas. Assim a magia das plantas no dia da espiga me permitam chegar inteiro ao dia da hora, ao dia mais santo do ano, aquele em que já não terei de trabalhar por obrigação e passarei a fazer aquilo que me der na realíssima gana.
