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19 de junho de 2025

Férias pequenas, grandes e plenas

Bonnevacance!
férias
Nome feminino plural de féria (fé.ri.a | ˈfɛrjɐ), do latim ferĭa-, «dia de festa».

Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa

A capacidade de olhar à distância levam-me a vislumbrar um tempo idílico de infância, em que as férias não eram nem pequenas nem grandes, eram plenas. Começavam quando o solstício de verão se aproximava e os dias se tornavam maiores e mais quentes. Acabavam nas vésperas do equinócio do outono, quando as vindimas estavam no seu auge e as festividades das estações frias despontavam.

Em sentido contrário, dirijo o olhar para as férias que aí vêm e que voltarão a ter a dimensão dos dias de festa dos tempos pré-escolares. Estas agora só não são plenas porque entre os primeiros dias do inverno e os finais da primavera outras tarefas se foram impondo para preencher os longos dias duma reforma, aposentação ou jubilação obtida após a travessia da etapa ativa adulta pela vida.

Nas vésperas dos dias de festa do descanso maior, interrompi as caminhadas de domingo mas mantive as sessões bissemanais de yoga, abrandei os ensaios dos grupos corais e ultimei as aulas pro bono na academia sénior. Comecei a contar os dias que me separam do sol e sombra, das leituras e escritas, da companhia mais assídua dos livros de proveito e deleite, de ensino e diversão.

arrumei as calças, camisolas e casacos; estreei as t-shirts, bermudas e havaianas; já apartei as toalhas de praia, os fatos de banho e a cadeira de lona. Os chapéus de sol, os para-ventos de prevenção e os panamás de pano já foram postos de lado. Os giros à beira-mar, à beira-ria e à beira-dunas já se avistam no horizonte. E aí vou eu em pensamento ávido de lá chegar de corpo e alma.

6 de setembro de 2023

Rotinas em contracorrente

Pam Wenger, Morning Routine (2020)
[Wall Art ‒ fineartamerica]

                   Noves fora nada...                    

Sometimes the writer must ask himself whether what he has written has any value except to himself...

Voltei às minhas rotinas em contracorrente do pós-férias de verão em tempos ditas grandes. Retomei o cantar & ouvir com horário fixo e mantive o ler & escrever e o blogar & comentar com horário livre.

Deitei para trás das costas os noves fora nada que já leva este espaço de histórias ditas em conta-corrente flexível e prossigo esta caminhada de anuário rumo à primeira década de vida real e virtual.

Peguei na reflexão do W. Somerset Maugham feita em jeito de Exame de Consciência e resolvi compor algumas palavras mais sobre o tudo e coisa nenhuma que vão tendo algum sentido para mim. Até ver.

1 de setembro de 2017

Espreguiçadeira, acessórios & C.ª

O render da guarda...

Não há bem que sempre dure...

Dei o descanso merecido à espreguiçadeira no canto do quintal, arrumei o guarda-sol do jardim junto aos de ir ver o mar, despedi-me da toalha de praia e dos calções de banho. Guardei o panamá de pano na mochila de verão e vou dar um uso moderado de fim de semana às camisetas estampadas e aos chinelos de enfiar.

Está na hora de substituir os trajes de repouso pelos de combate. Uniformes os dois. O do ócio e o do negócio. O de usar ao ar livre e o de vestir paredes adentro. Os que fazem os monges e os que os desfazem. Olhei para a mochila de inverno e juntei um ou outro livro de lazer aos do dever. Equilibrar assim as rotinas sazonais.

30 de agosto de 2016

A rentrée do telemóvel...

A recarga do telelé...

Não vá, telefone!...

O meu telemóvel de serviço está a acordar duma longa sesta de vinte e tantos dias. Começou a adormecer nos idus de julho e a ser resga-tado antes das kalendæ de setembro. O tempo do dolce far niente chegou ao fim. Agora são horas de pegar de novo no batente.

O meu telemóvel de serviço foi retirado da mesa de cabeceira onde dormiu o sono dos justos. Até à próxima Saturnalia ocupará um bolso livre das calças. Depois logo se vê. E os ciclos do negócios & ócio a renderem-se entre si. Rotinas  anuais a darem sentido à vida.

31 de agosto de 2015

T-shirts, bermudas & havaianas

O descanso da farpela...

Os uniformes que fazem o monge... 

O tempo das t-shirts, bermudas & havaianas chegou ao fim. O mês de Augusto despediu-se com uma trovoada quase molhada de cinco minutos. Tolos os que pensaram que a chuva de gotas contadas ia apagar incêndios ou lavar os carros estacionados na rua.

O tempo dos polos, jeans & mocassins está a chegar. O sétimo mês do calendário de Roma está a bater à porta. Faz-se acompanhar da tradicional náusea existencial que só se atenuará nas vésperas do Natal. Rotinas cíclicas a exigir um traje a condizer.