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| Georg Braun & Frans Hogenberg: Civitates Orbis Terrarum, 1572 [Universitätsbibliothek Heidelberg] |
«Ormuz, top. Ilha e estreito da Ásia. A mais ant. referência que por ora conheço a esta localidade é a de Fernão Brandão: "Yndia, Malaqua, Armuz / com a espera..." no C. Ger., III; quase contemporânea desta deve ser a de Barbosa (pp. 50 e 54). Na carta de Jerónimo de Santo Estêvão, anexa ao Livro de Marco Paulo (fl. 98 r), é Ormos, mas Aromuz em Bisnaga (p. 70). Ormuz é a forma de Déc. (II, cap. 2, p. 48) e Lus. (II, 49; X, 40, 53, 101). Creio que se trata de forma (persa?) ouvida pelo Portugueses quando chegaram àquelas bandas, não havendo qualquer relação directa entre ela e as antigas por vezes citadas por autores classificófilos. Refiro-me à Harmazaei (Harmozia e Armuzia noutras edições) de Plínio (Nat. Hist., VI, 110) ou à Harmozonte de Amiano Marcelino (23.º, VI, 10, p. 322).»José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa (1984)
ORMVS ÉPICO
E vereis o Mar Roxo, tão famoso,Tornar-se-lhe amarelo, de infiado;Vereis de Ormuz o Reino poderosoDuas vezes tomado e sojugado.Ali vereis o Mouro furiosoDe suas mesmas setas traspassado:Que quem vai contra os vossos, claro vejaQue, se resiste, contra si peleja.
Esta luz é do fogo e das luzentesArmas com que Albuquerque irá amansandoDe Ormuz os Párseos, por seu mal valentes,Que refusam o jugo honroso e brando.Ali verão as setas estridentesReciprocar-se, a ponta no ar virandoContra quem as tirou; que Deus pelejaPor quem estende a Fé da Madre Igreja.
Virá despois Meneses, cujo ferroMais na África, que cá, terá provado;Castigará de Ormuz soberba o erro,Com lhe fazer tributo dar dobrado.Também tu, Gama, em pago do desterroEm que estás e serás inda tornado,Cos títulos de Conde e d’honras nobresVirás mandar a terra que descobres.
Olha Dófar, insigne porque mandaO mais cheiroso encenso pera as aras;Mas atenta: já cá destoutra bandaDe Roçalgate, e praias sempre avaras,Começa o reino Ormuz, que todo se andaPelas ribeiras que inda serão clarasQuando as galés do Turco e fera armadaVirem de Castelbranco nua a espada.
Camões, Os Lusíadas (II , 49; X, 40, 53 e 101)
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| Vasco da Gama - Luís de Camões - Afonso de Albuquerque |











