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12 de novembro de 2025

O bicentenário discreto de Camilo Castelo Branco


O silêncio é uma confissão
Camilo Castelo Branco, O bem e o mal (1863)

Deixei passar em branco o bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco. Não posso esperar pelo bicentenário da sua morte, porque nessa data já não terei possibilidade de o fazer.

Vasculhei nos escaparates das livrarias ainda abertas aqui do burgo e não encontrei quase nada da vasta obra que nos legou. Nem a diversidade de géneros cultivados ajudou nessa pesquisa.

Sacudido o das edições antigas e munido duma máscara sobrante da Covid-19, reinicio a tarefa de reler os títulos residentes nas minhas estantes pessoais. Já os tenho à minha beira. Mãos à obra.

Um dia destes ainda me vou pôr a falar dum deles. Até pode ser O bem e o mal que me emprestou o tema para retirar do silêncio um dos imortais da república das letras portuguesas. Veremos.

Obs.:
Camilo Castelo Branco  (Lisboa, 16 de março de 1825 – São Miguel de Seide, 1 de junho de 1890)

6 de novembro de 2025

A tertúlia das musas parnasianas…

Raffaello Sanzio, Parnaso (c. 1510-1511)
[Pallazzo Apostolico, Stanza della Segnatura, Vaticano]

Tertúlia - Tália - Parnaso

Ao entrar nos pretéritos anos 60 na Rua das Montras rumo à Praça da Fruta, deparávamo-nos com três pequenas livrarias, cujos nomes nos sugeriam de imediato alguns dos mitos e lendas ancestrais mais conhecidos da cultura helénica clássica: Tertúlia, Tália e Parnaso. Estava concentrado naquela via central da Caldas da Rainha um grupo de seres divinos e heroicos evocados amiúde pelas letras e artes. Olhando para os frescos renascentistas de Rafael no Vaticano, encontramos ali representados muitos deles a duas dimensões, sobretudo os ligados ao deus Apolo e às nove Musas, reunidos na ΄Ορος Παρνασσός, próximos de Delfos, a cantar e dançar em coro ao som da lira e dos versos dos poetas imortais antigos e modernos.

A Tertúlia de Artes e Letras ficava à entrada daquela correnteza de lojas variadas. Estava sediada no primeiro andar dum prédio idêntico a tantos outros ali residentes, mas com um recheio de livros, discos, gravuras, peças de arte, permitindo o convívio com muitos criadores dos heróis da imaginação elevados às alturas da imortalidade. Ali se reuniram no escasso par de anos da sua vida vultos conhecidos da nossa cultura, em tertúlias literárias e artísticas da παιδεία lusitana, resistente às diatribes usuais nos tempos da outra senhora de má memória para os amantes do livre-pensamento. Subi os degraus daquela escadaria uma meia dúzia de vezes e encontrei sempre ao meu dispor tudo aquilo que procurara em vão noutros locais.

Um pouco mais à frente, no outro lado da rua ainda aberta ao tráfego automóvel ficava a Tália, a mais ampla e concorrida do trio, talvez por funcionar também como papelaria, discoteca, ludoteca e outras ofertas mais para quem a visitava por hábito ao longo do dia. A musa da Comédia ‒ a tal que inspirara o nome da loja ‒ lá estava em sintonia fraterna na companhia das demais protegidas de Apolo, a guiar os potenciais amantes mortais da poesia, drama, história, dança e beleza em geral, para levarem para casa um pouco da criação artística e científica produzidas com a sua inspiração divina. Por ali passei vezes sem conta. Ali folheei revistas, ouvi discos e cirandei sem destino certo, como muitas vezes convém.

A terminar o circuito triangular e após uma nova travessia do itinerário comercial a céu aberto da cidade da rainha, deparámo-nos com a Livraria Parnaso, a mais pequena de todas mas também a mais longeva, a única que tem conseguiu resistir até aos nossos dias à voragem inexorável do tempo. A minha memória visual guarda a imagem precisa do espaço exíguo onde os livros se viam por toda a parte protegidos pela vitrine da montra virada para os passeantes e pelo balcão protetor de atendimento dos clientes. Tocávamos-lhes à distância com os olhos arregalados e cheirávamo-los com ambas as narinas bem abertas. Depois da compra, saíamos com os sentidos bem despertos para a aventura da escrita que nunca falhava.

Livrarias surgem, livrarias partem, mas, no admirável mundo novo em que vivemos, são mais as que fecham as portas até um nunca mais do que aquelas que as abrem para os amantes de livros físicos novinhos em folha. O contacto com a escrita faz-se cada vez mais à distância. O virtual condenou as sinestesias da leitura à tirania insípida do digital. Tudo se resume ao matraquear do teclado dum PC ligado à Net e à visualização do texto desejado no respetivo ecrã. Livrámo-nos de vez das poeiras e odores a mofo das edições antigas, mas fomos igualmente impedidos de acariciar as palavras impressas a tinta numa folha de papel. Por outras palavras, deitou-se o bebé fora junto com a água do banho. Nem mais nem menos.

18 de janeiro de 2022

Os cromos dos cromos

HISTÓRIA DE PORTUGAL
 [Lisboa: Agência Portuguesa de Revistas, 1953]

cro·mo

(grego khrôma, -atos, cor)
Desenho impresso a cores.
Pessoa que tem um comportamento considerado estranho, excêntrico ou ridículo.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Chegou às minhas mãos uma caderneta da História de Portugal em cromos. Trouxe-me à memória a febre colecionista desse tipo de desenhos impressos a cores que invadiu parte da minha meninice. Nunca fui um cromo dos cromos mas deixei-me envolver pela tarefa durante os tempos do primário. A atividade foi rápida a chegar e célere a partir. Veio com força por altura da terceira classe e zarpou de mansinho no final da quarta sem vontade de voltar.

Há muito tempo que perdi o paradeiro das 204 vinhetas coladas a preceito no local devido. A azáfama começava com a abertura das carteiras compradas avulso e com três exemplares no interior. No início era tudo muito fácil, depois havia o problema das repetições e o afã renhido de trocar os cromos duplicados pelos cromos em falta. Sempre os mesmos, uns e outros. A Agência Portuguesa de Revistas sabia muito bem como fazer render a fruta.

Com a ajuda do proprietário da Livraria Silva Santos e a permuta constante com os colegas de escola, lá consegui chegar ao número mágico dos já não sei quantos cromos mais difíceis de encontrar, o tal que me permitia solicitá-los diretamente à editora. Completei o álbum e parti para outras aventuras consideradas à época mais interessantes ou menos trabalhosas. Pontos de vista impostos pela idade. O álbum lá ficou esquecido até hoje. Quem diria...

29 de março de 2020

Petrónio e as sátiras latinas do Satyricon

BANCHETTO: FESTA DELLA FAMIGLIA (c. 79EC)
«Nos iam ad triclinium perveneramus, in cuius parte prima procurator rationes accipiebat. Et quod praecipue miratus sum, in postibus triclinii fasces erant cum securibus fixi, quorum imam partem quasi embolum navis aeneum finiebat, in quo erat scriptum: "C. Pompeio Trimalchioni, seviro Augustali, Cinnamus dispensator". Sub eodem titulo et lucerna bilychnis de camera pendebat, et duae tabulae in utroque poste defixae, quarum altera, si bene memini, hoc habebat inscriptum: "III. et pridie kalendas Ianuarias C. noster foras cenat", altera lunae cursum stellarumque septem imagines pictas; et qui dies boni quique incommodi essent, distinguente bulla notabantur.»
Desapareceu mais uma livraria em Faro. Qualquer dia não nenhu-ma. Esta pertencia às Publicações Europa-América que acabam de declarar insolvência. Uma dívida calculada em dois milhões de euros obrigou a casa fundada por Lyon de Castro em 1945 a fechar as portas que a ditadura de Salazar não conseguiu concretizar. Grande parte da minha biblioteca pessoal ostenta a chancela da editora foi escolhida de entre os 51 milhões de livros escritos por cerca de 1900 autores.

Foi aqui nesta pequena loja agora encerrada que adquiri em formato de bolso o Satyricon de Petrónio, composta por volta de 60 EC. A minha passagem pela Faculdade de Letras não me levou à leitura integral ou parcial da mais genuína obra de ficção satírica da literatura romana imperial do tempo de Nero. A descoberta foi feita através da versão filmada por Federico Fellini e estreada a nível global em 1969. No ano em que se celebra o centenário do nascimento do realizador italiano, apeteceu-me rever o filme e reler o livro. Foi o que fiz sem exitação.

No suporte escrito, desconhece-se o início e final das deambulções dos protagonistas. As lacunas de dimensão variada atravessam toda a obra. A sua reconstituição torna-se particularmente difícil ou mesmo impossível. Temos de nos contentar com os episódios que até nós chegaram. O homoerotismo campeia, afastando o modelo diegético latino definitivamente do helénico, que então iniciava o período áureo da sua existência literária já multissecular.

Nas imagens em movimento, a estratégia seguida foi mesmo a de completar o relato com a imaginação criativa do realizador. A estrutura romanesca primitiva mantém-se, sendo entretanto enriquecida com elementos estruturais que asseguram a unidade discursiva de toda a fábula. Assim funciona a Arte em toda a sua plenitude. Assim foi na Antiguidade. Assim é na Modernidade.

17 de agosto de 2015

Fitas & Tricas

The Notting Hill Bookshop | The Travel Book Co.

Há filmes que nunca nos cansamos de ver e rever de vez em quando. As reposições constantes dos canais temáticos da TV Cabo oferecem-nos essa possibilidade quando menos esperamos. A Fox Life HD 62 ofereceu-me, há uns dias feitos semanas, o Notting Hill (1999), escrito por Richard Curtis, realizado por Roger Mitchell e protagonizado por Julia Roberts e Hugh Grant.

O coup de foudre do par romântico da película repetiu-se de novo naquela livraria de bairro londrino especializado em guias de viagens. Dispenso-me de resumir o argumento. A história é sobejamente conhecida e pode ser revista sem dificuldade numa navegação pela Net. Fico-me por duas breves cenas projetadas na tela que me lembraram uma outra real passada comigo.

A estrela de cinema americano ouve inadvertidamente um grupo de homens falar mal de si num restaurante. O livreiro anónimo inglês defende-a como é exigido a um cavalheiro apaixonado. A má-língua repete-se quando ele ouve sem querer um comentário pouco lisonjeiro proferido contra si por ela. A situação é esclarecida um pouco depois como preâmbulo do happy end exigido pelo género.

No início do semestre passado, ouvi um grupo de alunos tecer um parecer pouco abonatório a meu respeito. A cena durou durante todo o percurso do autocarro. Estava sentado no banco de trás. Dei-me a conhecer. Felicitei-os pela análise tão profunda após uma única aula de apresentação. Desejei que essa mesma habilidade se repetisse ao longo do curso com as obras que lhes ia propor para analisar.

Quem cochicha seu mal espicha. Nada de extraordinário que uma vez ou outra não tenhamos já feito. Anna Scott e William Thacker resolvem todos os diz-que-disse um pouco antes do ficha técnica final. Os mal-entendidos no início de ano resolveram-se na paz dos anjos, muito antes da avaliação final. Nas fitas e tricas, dá vontade de dizer, tudo está bem quando acaba bem.

3 de agosto de 2015

Livrarias que o vento vai levando

«O livro ainda é a melhor ferramenta da humanidade...»
Carlos Simões - livreiro & alfarrabista
Os meses de férias ainda são os melhores para dedicar à leitura. Dizem. Por todo o lado surgem feiras do livro. Imensas, grandes, médias, pequenas, minúsculas. Pouco importa o tamanho. Os factos feitos com letras impressas não têm uma dimensão mensurável com um qualquer metro-padrão em platina iridiada guardado em Paris no Bureau International des Poids et Mesures. Editores e livreiros fazem a festa anual nos diversos municípios que as alojam. Ao ar livre, está bem de ver. A animar as noites quentes de verão.

Faço questão de visitar todos os pavilhões e observar as propostas que me são dadas a observar. Por vezes até encontro um texto há muito procurado em vão nas livrarias tradicionais que frequento desde que me conheço como gente. Olhar com olhos de ver esses conjuntos de folhas de papel com palavras para decifrar e histórias para contar. Ouvir tudo aquilo que têm para dizer. Cheirá-los. Tateá-los. Saboreá-los. Um verdadeiro festim para todos os sentidos. Sem exceção. Sempre que posso, pego num e levo-o para casa.

Prazeres que um dia destes se converterão em meras lembranças dum tempo extinto. Há um ano dei-me conta do desaparecimento de mais uma livraria desta cidade onde vivo. Pátio de Letras e Espaço de Memórias. Onze meses decorridos fui surpreendido com o sumiço duma outra. A Simões. Aquela onde sempre encontrei o tal exemplar que me fazia falta na altura exata. O único alfarrabista de Faro foi alvo de despejo e obrigado a encerrar a atividade. Li-o num jornal. E tudo o vento vai levando sem apelo nem agravo.

17 de março de 2015

Uma livraria ao virar da esquina

Second Life Marketplace

Em tempos pretéritos, a Valentim de Carvalho teve uma pequena loja de discos e livros no Forum Algarve de Faro. Na primeira vez que lá entrei, pedi ao jovem vendedor de serviço um qualquer título de Lídia Jorge acabado de publicar. Esqueci-me do nome. Talvez uma coletânea de contos. Respondeu-me, com toda a educação que o part time lhe exigia, não venderem música brasileira. A ignorância, de facto, é muito atrevida. Explicar que se tratava da mais prestigiada escritora algarvia do momento, com obra traduzida para algumas dezenas de línguas, premiada dentro e fora das fronteiras nacionais, pareceu-me completamente irrelevante. Desci as escadas rolantes do primeiro andar e dirigi-me à livraria Bertrand do rés-do-chão. O meu pedido foi de imediato atendido com eficácia e sem perguntas suplementares de permeio. 

Este episódio veio-me à memória quando revi pela enésima vez num canal da TV-Cabo o filme americano de Nora Ephron, You've got mail (1998). Recordando o argumento, trata-se duma típica comédia romântica protagonizada por Tom Hanks e Meg Ryan, proprietários da Fox & Sons Books e da The Shop Around the Corner. É evidente que na luta travada entre uma megalivraria multinacional e uma microlivraria de virar da esquina, a astúcia proverbial da raposa derrotou sem dificuldade de maior a ingenuidade pueril do urso de peluche. Os grandes comem os pequenos. Escusado será dizer que, pouco antes de se esgotarem os 119 minutos de projeção da película, a reconciliação dos dois livreiros antagonistas é selada com o tal beijo cinéfilo obrigatório nestas circunstâncias e exigido pelo género. Está tudo dito.

Saltando por cima dos pormenores que conduzem ao happy end esperado desde o início da história, destaco uma única cena. O não menos jovem funcionário de serviço à secção infantil do novo megastore instalado no bairro sente-se impotente para satisfazer o pedido duma cliente. Esta pretendia um livro para crianças que falava de sapatinhos de ballet. Bloqueio completo do vendedor. Afinal, tratava-se tão somente do Ballet Shoes (1936), o título inaugural da série infantil Shoes, imaginada pela escritora inglesa Noel Streatfeild, mundialmente conhecida no âmbito da literatura infantil. Felizmente que a ex-proprietária da minilivraria falida estava presente para esclarecer as dúvidas e satisfazer a cliente. A lição da fábula é que a sócia dum urso de peluche instruído vale bem mais do que o escravo duma qualquer raposa delambida.

26 de setembro de 2014

Pátio de Letras & Espaço de Memórias

Maria Helena Vieira da Silva
Bibliothèque en Feu (1974)
CAM - FCG - LISBOA

Siempre imaginé que el paraíso sería algún tipo de biblioteca.
Jorge Luís Borges

Uma cidade sem uma livraria não é uma cidade a sério. Uma cidade que é incapaz de manter as que tem não merece o direito de existir. No decorrer duma escassa geração, vi desaparecer uma dezena delas ao meu redor. Em seu lugar, vi surgir uma sapataria, uma farmácia, uma cervejaria, um salão de cabeleireiro, uma loja de peúgas, uma butique, uma garrafeira, uma bijutaria, um café. Podia ser pior. Ficarem os espaços ao abandono, encerrados e entaipados, como se vê tanto por aí. E lá vão desaparecendo também por contágio estações de caminho de ferro, escolas primárias, maternidades, cinemas, tribunais e o diabo a sete. Os exemplos são mais que muitos. Uma cidade que priva os seus moradores dos bens essenciais ou os expulsa para a periferia, uma cidade que cria o deserto no seu interior, essa cidade qualquer dia destes desaparece e ninguém dá por isso.

A mais recente livraria a fechar portas na cidade onde moro ainda não teve tempo de se transformar em coisa nenhuma. Vive a paredes meias com um bar, aquele a que esteve associada enquanto subsistiu e que lhe conseguiu sobreviver. In vinus veritas. Estarei certamente a exagerar um pouco. Os livros vendem-se agora nos supermercados. Nas pequenas e grandes superfícies. São transportados para casa no meio dos detergentes, mercearias e enlatados. Começam a ver-se cada vez mais nas estações de correios que ainda não fecharam definitivamente as portas aos utentes, também eles em via de extinção. Em vez de selos para as cartas que ninguém escreve adquire-se um bestseller de tiragem global, de preferência light, traduzido para português. É a chamada banalização da cultura ou apagamento dum país.

O Pátio de Letras durou seis anos. Entre 12 de julho de 2008 e 30 de agosto de 2014, ambicionou ser um espaço de memórias onde o espírito crítico se sentisse em casa; um espaço de encontro de pessoas e ideias, onde a cultura fluísse com a naturalidade com que se respira e conversa com os amigos. Estas palavras foram trazidas da nota de despedida composta pela autora do projeto na hora de fechar as portas e arrumar a casa. Fi-lo quase ipsis verbis e sem ter formulado um pedido formal de autorização. Fi-lo enquanto frequentador habitual desse espaço de reflexões pessoais e emo-ções partilhadas. Fi-lo porque me vi privado dum cantinho especial onde eu e os livros nos tratávamos por tu. As aspirações acalen-tadas pela criadora do conceito cumpriram-se na totalidade. O direito a ser diferente vingou enquanto pôde ser diferente. Depois acabou.

Durante cinco anos contribui com algumas palavras para o blogue da livraria. Entre 23 de setembro de 2009 e 31 de agosto de 2014, postei 55 textos compostos depois de lidos os livros no Leya no Pátio. Estão todos agrupados numa etiqueta pessoal que tomei de empréstimo. Continuam em liberdade no ciberespaço, confiantes que o universo virtual seja mais compreensivo com as palavras do que o real costuma ser e as deixe andar por aí à espera de navegantesComecei com o João Aguiar e terminei com o Gabriel García Márquez. O prazer da leitura associou-se ao prazer da escrita. Um dia destes porei o Arthur d’Algarbe a revisitar as histórias do Arthur Erre Guê e pô-las em linha mais uma vez. Quem sabe para que lado os fados nos levarão...