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20 de novembro de 2024

Pilares marítimos da cultura portuguesa

Laterais: folhas de rosto d'Os Lusíadas (1572 ) e das Flores de Música (1620)
C
entro: gravura alemã dos «Jerónimos» (1650) e «Painel do Infante» (c. 1450)
Inferior: anotação musical dum Tento de Manuel Rodrigues Coelho

TESE MARÍTIMA
«A força atrativa do Atlântico, esse grande mar povoado de tempestades e de mistérios, foi a alma da Nação e foi com ele que se escreveu a história de Portugal.»
Jorge Dias, Os elementos fundamentais da cultura portuguesa (1950)

Espinhosa tarefa essa de estabelecer os elementos fundamentais duma determinada cultura, sobretudo se se referir a uma realidade multissecular como é o caso da nossa. Jorge Dias ousou fazê-lo em 1950, quando apresentou no I Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, realizado em Washington, uma tese subordinada a essa temática na secção de antropologia cultural. Identificou as dificuldades sentidas e centrou o resultado do seu trabalho na força atrativa do grande mar oceano, exercida desde na configuração da personalidade-base do país, que sintetiza em quatro pilares ou formas de pensar do génio criador português e canaliza para a criação literária, arquitetónica, pictórica e musical. Ei-los.

O edifício identitário nacional tem como suporte poético máximo Os Lusíadas (1572) de Luís de Camões. Assente nos dez cantos de oitavas decassilábicas, a grande viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia justifica perfeitamente a linha central de raciocínio seguido pelo etnólogo na sua comunicação. Vasco da Gama é erguido à categoria de herói épico, desenhado à maneira dos seus antecessores gregos e romanos, assume o comando da expedição, encarrega-se de relatar aos seus anfitriões orientais as glórias pretéritas do povo luso por si representado e prepara naquele tempo histórico ali vivido a revelação antecipada das muitas glórias vindouras a efetuar nos quatro cantos da terra e do mar.

A celebração das expedições às terras dos Algarves, Guiné, Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, feitas nos mares oceanos ocidentais e orientais no período áureo das navegações, encontra-se exaltado em pedra no Mosteiro dos Jerónimos (1501-1601), entendido como padrão comemorativo da expansão marítima global efetuada sob a égide da Casa de Avis. Os elementos evocativos dos novos mundos visitados encontra-se copiosamente representada no complexo monumental de Belém, rendido ao manuelino então predominante e replicada em muitos outros edifícios de traça sacra e civil dessa e doutras épocas. É o caso dos túmulos escolhidos pelo revivalismo romântico para os túmulos do poeta e navegador festejados ali sepultados.

A ereção da ilustre casa lusitana prossegue com o Políptico (c. 1470) de Nuno Gonçalves, atualmente exposto nas Janelas Verdes no Museu Nacional de Arte Antiga. A eleição desta obra paradigmática da cultura portuguesa deve-se ao facto de no designado painel do Infante se encontrar a alegada figura de D. Henrique, o grande impulsionador da política das viagens marítimas, por isso mesmo cognominado o Navegador. Tudo seria perfeito se se desse o caso do enigmático homem do chapeirão ser o elemento mais famoso da Ínclita Geração. Polémicas à parte, parece não caber dúvidas que o Senhor de Sagres se encontra representado numa das tábuas quatrocentistas. Soluções alternativas credíveis não faltam.

O mais intrigante pilar indicado pelo conferencista na capital federal dos Estados Unidos da América, em meados do século passado, assenta nas Flores de Música (1620) de Manuel Rodrigues CoelhoA questão que de imediato se coloca é detetar a presença do mar nos Tentos para órgão, cravo e arpa ali coligidos pelo mestre de capela alentejano das catedrais de Badajoz, Elvas e Lisboa. A resposta só se poderá obter através da audição atenta das peças e à visão das respetivas partituras. A sucessão de subidas/descidas presentes nas composições perfeitamente visíveis na ondulação sistemática das notações musicais orientadoras da execução/navegação harmoniosa das melodias instrumentais ali desenhadas com engenho e arte.

À distância de sete décadas e meia de ter sido proferida, a tese marítima de Jorge Dias continua a ser editada, lida e comentada nos nossos dias. Mantém-se atual, apesar de não poder ser entendida dogmaticamente como uma constante perene da cultura portuguesa. A presença do mar foi muito discreta nos períodos limítrofes do Renascimento-Maneirismo-Barroco que moldaram a nossa idade dourada. Desempenhou um papel muito discreto nos tempos medievais e assim permanece nos contemporâneos. Outros pilares teriam de ser evidenciados, na certeza, porém, de se encontrarem forçosamente na sombra dos traçados pelo espírito criador lusitano do nosso devir histórico pretérito a apontar para o vindouro.

Jorge Dias, Os elementos fundamentais da cultura portuguesa. Lx: INCM, 1950

21 de julho de 2021

Nuno Gonçalves e as histórias pintadas dos Painéis de São Vicente em Lisboa

     Nuno Gonçalves, Painéis de São Vicente (c. 1470)     
[Lisboa - Museu Nacional de Arte Antiga das Janelas Verdes]

O quingentésimo aniversário da morte do Infante Dom Henrique (1960) apanhou-me entre a segunda e a terceira classes, com as férias grandes de verão de permeio. Apesar das aulas de História estarem centradas no quarto e último ano do ensino primário, os ecos ampliados da efeméride não deixaram de se fazer sentir tanto nas escolas do bairro da Ponte como na da praça do Peixe que então frequentava nas Caldas da Rainha. Lembro-me de muito poucas iniciativas alusivas ao momento, organizadas com grande pompa e circunstância pelo Estado Novo, tais como a inauguração do Padrão dos Descobrimentos ou o lançamento especial de selos coloridos, de medalhas de prata e da diversa iconografia pintada ou esculpida do homenageado, representado sempre de chapeirão negro de aba larga e a segurar por vezes uma nau de brinquedo, a comprovar o seu epíteto de Navegador. A minha memória de infância guardou ainda a imagem esfumada dum calendário de parede editado pela SACOR e profusamente ilustrado pelo mestre António Lino, que agora voltei a rever em parte na Net. As particularidades algo exóticas das gravuras levaram-me mais tarde à Biblioteca Municipal à época instalada nos Pavilhões do Parque, onde encontrei e devorei os estudos de Belard da Fonseca em cinco tomos, os tais que me introduziram de vez n'O Mistério dos Painéis (1957-1967), obra completada pelo polémico D. Henrique? D. Duarte? D. Pedro? (1960).

Na década de 70, instalado em Lisboa, aproveitei muitas manhãs e tardes livres para visitar o Museu das Janelas Verdes e olhar com olhos de ver para todas as obras maiores da cultura portuguesa doutros tempos ou sem tempo no tempo. Olhar para os seis painéis com jogos de olhares, enigmáticos, de quem olha para o indefinido ou se deixa olhar sem olhar para a dupla figura central. Há quem diga que se trata de São Vicente outros do Infante Santo, a rivalizar com um número crescente de hipóteses alternativas, entre as quais a do Rei Dom Duarte, da Rainha Dona Isabel de Coimbra, de São Tiago Menor, da Infanta Dona Catarina, do Cardeal Dom Jaime e até dum Arauto da Era do Espírito Santo. Cada cor seu paladar. Pessoalmente continuo a preferir tratar-se dos irmãos gémeos São Crispim e São Crispiniano, os primeiros padroeiros da cidade de Lisboa. Todavia, a tese predominante nessa altura continuava a ser a Vicentina a debater-se em grande, com unhas e dentes, com a Fernandina. Pelo menos era a ideia com que se ficava, quando se ouvia a interpretação profissional  e convicta dos cicerones de serviço às visitas de grupo. O problema de se tratar dum só políptico e não de dois trípticos parecia estar então resolvida, após os contributos de José de Bragança e Almada Negreiros em proporem essa disposição com base nas leis da perspetiva do olhar, oferecidas pelos ladrilhos que as 60 figuras retratadas pisam.

Decorrido meio século e entrados no .º milénio, continuamos sem saber de fonte segura que pintura é esta para onde olhamos, quem a pintou, de onde veio e para onde ia, que título lhe devemos dar e quem está de facto ali retratado. vontade de esperar pelo resultado final do relatório clínico do mediático restauro atualmente em curso, para decifrar a chave dos mistérios ainda presentes na mais polémica pintura portuguesa de todos os tempos. Aguardar com calma que os acréscimos das anteriores intervenções sejam eliminados e que o resultado final nos devolva de uma vez por todas o seu traçado originalUma certeza, porém, deve ficar no horizonte. Tudo o que se possa ainda dizer sobre as tábuas quatrocentistas, mais não será do que uma mera lucubração, a roçar amiúde a fantasia, sobre o significado da obra-prima monumental de Nuno Gonçalves, ou de João Eanes, ou de ambos ou dum outro qualquer criador anónimo de imagens a duas dimensões, coloridas a óleo e têmpera sobre madeira de carvalho, nascido sabe-se lá bem onde. Entretanto, fixemo-nos nos olhares dos clérigos, pescadores, damas, santos, nobres e cavaleiros. Dir-se-ia que se deixam olhar sem nos olharem de frente. Tristes, sisudos, pesarosos, circunspectos, graves. Que pena não termos a ajuda do Desmond Morris para nos revelar as posturas do corpo na linguagem da arte destas figuras enigmáticas com mais de 500 anos de vida.

16 de abril de 2021

Os rostos do Infante de Sagres

ROSTO DO INFANTE
Crónica da Guiné & Painéis dos Cavaleiros e do Infante
Estátua dos Jerónimos & Busto e Estátua Jacente da Batalha

       O misterioso senhor do chapeirão borgonhês...       

«E assy que tornando a meu proposito digo que este nobre principe ouue a estatura do corpo em boa grandeza e foe homẽ de carnadura grossa e de largos e fortes membros, a cabelladura auya algũu tanto aleuuantada, a coor de natureza branca, mais polla continuaçõ do trabalho per tẽpo tornou doutra forma.»
Gomes Eanes de Zurara, Crónica dos feitos da Guiné  (1453) 

«Homem de boa estatura do corpo e de grandes e fortes membros; tinha o acatamento da sua presença mui gracioso, os cabelos corredios, o rosto redondo e algum tanto enverrugado, os olhos moles, e pouca barba...» 
Rui de Pina, Crónica de D. Duarte (1497)

Como homem que era do seu tempo, o Infante Dom Henrique mandou modelar ainda em vida o rosto em cera. Garantia assim que a estátua jacente do seu túmulo da Capela do Fundador no Mosteiro da Batalha o representava com fidelidade, tal qual era e não fruto da imaginação póstuma de quem a esculpisse. Precaução malograda pelas representações fantasistas dos nossos dias. Ironias do destino difíceis de evitar, mesmo quando se trata de alguém como o Navegador, Senhor de Sagres, Duque de Viseu e representante maior da Ínclita Geração.

Eis senão quando em 1841 é dado a conhecer pelo Visconde Santarém a iluminura do Senhor de Chapeirão, adossada à Crónica dos feitos da Guiné ou do Infante D. Henrique (1453), de Gomes Eanes de Zurara, um códice existente em Paris, na Bibliothèque National de France. Fácil foi para José de Figueiredo identificar em 1895 o retratado com a figura pintada nos Políptico de São Vicente, atribuídos a Nuno Gonçalves, hoje expostos no Museu Nacional de Arte Antiga, às Janelas Verdes em Lisboa. E assim passou a ser desde então contra tudo e contra todos.

A dúvida surgiu quando o reconhecimento desse filho de Dom João I e Dona Filipa de Lencastre é questionado e substituído pelos irmãos mais velhos, o Rei Dom Duarte para uns e o Infante Dom Pedro para outros. O confronto das diversas representações do Administrador da Ordem de Cristo e principal impulsionador da expansão portuguesa foram determinantes para excluir a misteriosa figura do chapeirão borgonhês da iconografia henriquina. Tarefa inglória que o uso atual convertido em tradição tem ignorado liminarmente, a demonstrar que em arte mais vale sê-lo que parecê-lo.

Com barba ou simples bigode, a cara redonda ou enverrugada, corpo de grandes e fortes membros ou escanzelado, cabelos corredios ou encrespados, pouco importa, o verdadeiro rosto do mandatário da conquista da Guiné será sempre o do homem do chapéu negro de aba larga do Códice de Paris e dos Painéis de Lisboa. Assim passou a ser reconhecido em toda a parte. No ato criativo de divinização do herói, o retrato idealizado pela imagética dos nossos dias levou a melhor sobre o retrato desenhado pelos cronistas quatrocentistas coevos. Contra factos não há argumentos...  

14 de setembro de 2018

Um lugre, uma fragata, um veleiro

Por mares nunca de antes navegados...

Luís de Camões , Os Lusíadas (I. i, 3)
[Paço dos Cabrais - Belmonte]

De mar em mar, de porto em porto

Jorge Dias defendia em 1950 que a unificação e permanência da nação se devia ao mar. A tese apresentada em Washington, no Coló-quio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros*, assentava em quatro pilares do génio criador português. O literário da Epopeia de Camões, o arquitetónico do Mosteiro dos Jerónimos, o pictórico dos Painéis de Nuno Gonçalves, o musical dos Tentos de Manuel Rodrigues Coelho. Barcas, caravelas, carracas, naus e galeões fizeram a festa. E se navegar é preciso, que naveguem até nós. Réplicas antigas e versões recentes. Porque viver também é preciso. E venham lugres, fragatas e veleiros com bons ventos e marés.
O Creoula veio ter comigo em Copenhaga sem eu o ter chamado. Estava a participar numa regata internacional com partida da cidade da Sereiazinha, que ficou a olhar tranquilamente à distância. Corria o verão de 1988. Dias quentes, noites frias, sol e chuva o tempo todo, a picarem o ponto e a revezarem-se pacificamente. Quis a Fortuna que a nossa embaixada convidasse os nacionais residentes ou em trânsito para uma receção no navio-escola lusitano em águas dina-marquesas. A visita ao antigo fuste pesqueiro da Terra Nova culminou com um bacalhau à lagareiro com batata a murro, regado com azeite extra virgem e brindado com um porto de honra.

2. D. FERNANDO II & GLÓRIA: FRAGATA

Avistei há dias à D. Fernando II e Glória em Cacilhas ao estacionar o carro no parque contíguo ao porto. Deixa-se visitar como peça de museu ao preço módico dum bilhete individual ou coletivo. Está acompanhada do submarino Barracuda em estado periclitante de conservação. A fragata, em contrapartida, goza de boa saúde. Já a tinha visto ao largo, em 1998, aquando da Expo de Lisboa. Imponen-te. Acabada de restaurar e transformada numa atração dos 500 anos dos Descobrimentos Portugueses. A frisar serem «Os oceanos: um património para o futuro». A receção foi feita no Mar da Palha, sem direito a banquete, mas com muito fogo de artifício.
Fui propositadamente ao encontro do Sagres na sua primeira visita a Faro. Estava fundeado no cais comercial da cidade, preparada para celebrar o dia do município a 7 de setembro. Fazia-lhe companhia o Boa Esperança, um fac-símile perfeito do caravelão com que Bartolomeu Dias dobrou o cabo das Tormentas em 1488. O anão e o gigante lado a lado, proa com popa. Vistas bem as coisas, tratou-se dum reencontro com o mais mediático navio-escola da marinha portuguesa. Já o avistara em 1977 num cenário francês, na marina bretã de Saint-Malo. Convívios felizes, gerados por bons ventos e marés, a navegar de mar em mar, de porto em porto.

NOTA
(*) Jorge Dias, O essencial sobre os elementos fundamentais da cultura portuguesa. Lisboa: IN-CM, 1986.

25 de outubro de 2017

A Casa de Avis e os primeiros padroeiros de Lisboa

SÃO CRISPIM E SÃO CRISPINIANO

[Painéis centrais dos Painéis de São Vicente]
Já então eu publicara na revista O mundo português a descoberta de que, ao contrário do que se pensava, existiam sim dois santos, que tinham as condições requeridas para poderem ser os santos dos Painéis. | Eram dois e estavam ligados à história da conquista de Lisboa aos mouros [...] (A) hipótese de se tratar dos santos Crispim e Crispiniano, irmãos mártires gémeos e primeiros padroeiros de Lisboa, por ter tido na véspera do seu dia que a cidade fora conquistada aos mouros, e no seu dia, 25 de outubro, que D. Afonso I entrara na cidade.
Theresa Schedel de Castello Branco
Os painéis de S. Vicente de Fora. As chaves do mistério
Lisboa: Quetzal, 1994, 118-119
Muito se tem dito sobre as sessenta personalidades representadas no Políptico das Janelas Verdes (c. 1470), um conjunto de seis tábuas pré-renascentistas, atribuídas a Nuno Gonçalves (séc. xv) e geralmente referenciado por Painéis de São Vicente. A oscilação na titulação da pintura quatrocentista advém das dúvidas persistentes que a sua interpretação tem suscitado desde a sua descoberta ocasional no Mosteiro de São Vicente de Fora e do seu depósito no Museu Nacional de Arte Antiga ou das Janelas Verdes.

Há quem queira, todavia, associar a obra a São Vicente de Huesca (séc. iv), martirizado em Valência, no tempo do imperador romano Diocleciano. O que nunca ficou esclarecido pelos defensores desta tese é a razão da dupla figuração nos painéis centrais. As hipóteses alternativas pecam pela mesma dificuldade e acrescentam outras. Poderemos questionar-nos até que ponto se torna credível optar por Santo Estêvão, Santa Catarina, Santiago Menor, Infante Santo D. Fernando ou mesmo por um arauto da Era do Espírito Santo.

O número global de individualidades arroladas é difícil de contar, centrando-se sobretudo nos diversos membros da Casa de Avis, com um especial enfoque no misterioso Senhor do Chapeirão, a quem se continua a chamar insistentemente de Infante D. Henrique. Os casais reais constituídos por D. Duarte e D. Leonor de Aragão ou por D. Afonso V e Isabel de Coimbra, bem como o Príncipe Perfeito D. João II e a Princesa Santa D. Joana, concorrem entre si para ocupar um espaço privilegiado no retrato áulico de grupo.

A aceitação do duplo santo no retábulo pode justificar-se por ter sido achado na primeira igreja edificada fora da cerca moura. D. Afonso Henriques até converteu São Vicente em padroeiro de Lisboa em 1173, quando trasladou as suas relíquias para a futura capital do reino. Acontece que em 1147 já oferecera o padroado da cidade a São Crispim e São Crispiniano, por ter sido no seu dia que entrara em Lixbuna. Dois gémeos idênticos, aí está uma boa solução para o enigma fulcral da obra-prima da pintura nacional.