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8 de novembro de 2024

Laurent Binet, perspetiva(s) pintada(s) e contada(s) dum thriller histórico epistolar

« Il n’y a rien de plus certain que la perspective, rien de plus essentiel, ni rien de plus éternel. C’est elle, et elle seule, plus que toutes les batailles et tous les poèmes et tous les traités de Machiavel ou de Castiglione, qui a rendu notre Toscane immortelle, qui a fait qu’on parlera de nous dans les siècles des siècles, de la Chine aux Amériques.  Oh ! Quelle douce chose que cette perspective ! »
Laurent Binet, Perspective(s) (2023)

Jacopo Carucci, mais conhecido no mundo da arte por Jacopo (da) Pontormo ou apenas Pontormo, nasceu em 1494 na localidade vizinha de Empoli, pela qual passou a ser referido, foi encontrado morto no primeiro de janeiro de 1557, junto ao fresco do «Dilúvio» que estava a pintar na Basílica de São Lourenço em Florença. O óbito ter-se-á verificado nessa data ou na véspera, tendo sido sepultado no dia seguinte na capital toscana. Dados os contornos insólitos do falecimento, a suspeita de ter sido assassinado instalou-se no ar, criando o ponto de partida seguido por Laurent Binet para redigir o Perspective(s) (2023), 466 anos após a verificação do trespasse.

Entusiasmei-me com a sinopse publicada nas páginas da Net e encomendei de imediato a obra online, tendo em vista o regresso ainda que virtual à Cidade das Flores e aos artistas quinhentistas que ali nasceram, singraram e abriram caminhos estéticos a toda a Europa culta da época. A contracapa da edição original do roman, que rapidamente me chegou às mãos voltou a repetir, ipsis verbis, os dados divulgados em suporte digital, máxime o facto da pesquisa policial então encetada assentar integralmente numa estrutura polar histórico-epistolar. Lançados os dados genéricos, só faltaria saber do autor as circunstâncias insólitas que lhe haviam facultado essa coleção extraordinária de 176 missivas, tão reveladoras dos enigmas catapultados para o relato de relatos trazidos aos nossos dias como se tivessem acabado de ocorrer.

Faça-se tábua rasa da autenticidade das cartas e da credibilidade da sua compra a um antiquário de Arezzo, para prestar atenção aos testemunhos registados pelos 21 correspondentes compilados pela instância narrativa. As informações paratextuais são referidos no «Prefácio», assinado por um singelo B facilmente identificado com Binet, que assim atribui ao conjunto documental obtido um tópico simulacro de veracidade discursiva, exigida pelo cânone tradicional das categorias literárias convocadas e passa assim a fazer parte integrante da ficção. O aparato preparatório do processo indagativo operado à distância de quase meio milénio conta, ainda, com um plano de Florença e outro da Itália, contemporâneos dos factos trazidos à colação, bem como uma uma ficha completa de todos os intervenientes nos eventos.

O fascínio sentido por este jovem contador de histórias fingidas decalcadas de histórias acontecidas é antiga. Remonta ao primeiro exercício biográfico por si composto, logo seguido dos intermédios até chegarmos ao mais recente. À eliminação real de Reinhard Heydrich, o carrasco de Praga e braço direito de Himmler; seguido do final trágico imaginado de Roland Barthes, alegado autor duma sétima função da linguagem; e, ainda, do destino alternativo de Atahualpa, o derradeiro Sapa Inca e pretenso conquistador da Europa de Carlos Quinto. Tudo nomes conhecidos, que a memória dos homens registou ao longo dos tempos, conquanto devidos a razões diametralmente opostas. A ucronia é rainha em todos eles, como de certa modo o é também este conjunto de cartas que nos apontam para uma série de hipotéticos assassinos de Pontormo, o mais destacado inventor do Maneirismo, aquele movimento artístico que mediou o apogeu do Renascimento e do Barroco.

Os labirintos artísticos, políticos, religiosos e filosóficos da época pululam em cada escrito atribuído a vultos frequentadores da corte ducal de Cosimo de' Medici e cúria papal de Pietro Carafa, aos meios culturais de pintores, escultores, arquitetos ou meros operários duns e doutros, a vultos mais ou menos familiares nos nossos dias, desempenham um papel decisivo para identificar/afastar hipotéticos homicidas do genial, melancólico, subjetivo e bizarro autor de telas, frescos e esboços de obras que os sucessivos preceitos estéticos fariam impediriam de concluir ou fariam desaparecer para sempre. O jogo de perspetivas plasmadas por cada um deles o tom geral ao relatório final apresentado em forma de romance, a que não faltará a identificação indiscutível do assassino do mestre amado/odiado que alimenta toda a inquirição detetivesca efetuada por Giorgio Vasari, autor da polémica e sempre citada Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori (1550). Nessa edição não se referem os pormenores da morte do cultor das poses contorcidas, perspectiva distorcida e cores marcadamente incomuns e peculiares, presentes neste repositório detetiveste de pontos de vista literários inspirados nos pontos de vista pictóricos. Podia revelá-lo aqui, mas seria uma traição que os futuros leitores não perdoariam.

22 de outubro de 2020

Laurent Binet: HHhH ou do cérebro de Himmler chamado Heydrich

« Pour ces gens-là, Heydrich est un instrument, pas encore un rival. Certes, dans le couple infernal qu’il forme avec Himmler, il est considéré comme le cerveau (" HHhH ", dit-on dans la SS : Himmlers Hirn heißt Heydrich – le cerveau d’Himmler s’appelle Heydrich), mais il reste le bras droit, le subordonné, le numéro deux. L’ambition d’Heydrich ne saurait se contenter éternellement de cette situation, mais pour l’heure, quand il étudie l’évolution des rapports de force au sein du parti, il se félicite d’être resté fidèle à Himmler, dont le pouvoir ne cesse de s’élargir, tandis que Göring se morfond dans une semi-disgrâce, depuis l’échec de la Luftwaffe en Angleterre. »
Laurent Binet, HHhH (2010)
Vi em tempos num canal da televisão por cabo O homem do coração de ferro (1917), um filme realizado por Cédric Jimenez, numa adaptação ao cinema da biografia do dirigente nazi Reinhard Heydrich, o cérebro de Himmler, composta por Laurent Binet, com o título algo bizarro de HHhH (2010), obra contemplada nesse mesmo ano com o Prix Goncourt du Premier Roman. Impossível negar que fiquei impressionado com a crueldade dos sucessos registados em celuloide e transmitidos no pequeno ecrã, sobretudo por se referirem a uma realidade vivida num passado assaz recente e a excederem em muito os cenários de terror imaginados pela ficção pura. Chegou-me agora às mãos a versão original impressa em papel, que li em ses-sões espaçadas, para assim digerir um pouco melhor as barbaridades cometidas pelos seus protagonistas, um mal-estar só atenuado pela qualidade superior de escrita do autor francês.

O romance inaugural do jovem criador anunciava já nas suas linhas gerais o percurso criador que trilharia no futuro, a ligação estreita da história e da ficção num pacto de leitura muito especial, um autêntico tubo de ensaio para a implementação plena da dimensão ucrónica, na tentativa hipotética de substituição dos eventos registados nos anais oficiais por uma alternativa mais humanista, não como se deram de facto  mas como poderiam ter dado, de acordo com a vontade do narrador-falsificador. Esta técnica definida por Umberto Eco num artigo centrado nos mundos da ficção científica*, foi ampliada em crescendo nos títulos seguintes, A sétima função da linguagem e as Civilizations, que lhe valeriam os mais altos galardões literários do seu país, com destaque para os atribuídos pelo Cercle de l'Union Interalllié e pela Académie française. 

Mais do que uma biografia tradicional duma figura sinistra do III Reich germânico, apelidado pelos resistentes como o Carniceiro, a Besta Loura, a Cabra, ou o Carrasco de Praga, a descrição circunstancial da «Operação Antropoide», aquela que pôs fim à vida do Quatro Agás o braço direito de Himmler, transforma-se, de certo modo, num relatório pessoal de pesquisa, num ensaio-estudo de como compor um romance histórico sem fugir à verdade histórica ou numa autobiografia parcelar do autor-relator, também ele convertido numa personagem real/fictícia da reconstituição dos sucessos dramáticos representados na capital Checa naqueles fatídicos dias limítrofes ao assassinato do SS-Obergruppenfürer, General der Polizei e chefe da Reichssicherheitshauptamt, a 27 de maio de 1942.

Quer queiramos ou não, os romances históricos aproximam-se todos eles em maior ou menor grau das normas definidas pela dimensão ucrónica, ainda que os seus obreiros tenham feito os impossíveis por seguirem à risca a realidade recriada posta em crónica. Nesta área do conhecimento ancorada numa disciplina que estuda a sequência de sucessos passados, sabe-se sempre o resultado da sua ação no presente, mas ficam sempre em aberto os espaços deixados em branco pelos documentos escritos para memória futura, elaborados regra geral segundo o perspetiva unilateral das partes vencedoras, com recurso a toda a retórica disponível. O papel do romancista torna-se particularmente difícil de levar a bom termo com o rigor exigido pelo género e ser capaz ao mesmo tempo capaz de agradar ao público leitor a quem se destina, sem distorcer por pouco que seja as provas recolhidas com o fator poético exigido e desejado. A descrição de espaços eventualmente mudados, a reprodução de diálogos artificiais inevitavelmente imaginados, a veracidade dos testemunhos diretos e indiretos recolhidos para que constem farão sempre parte dos problemas com que o género se terá de debater.    

O desejo de poupar a vida do eslovaco Jozef Gabčík e do checo Jan Kubiš, os dois exilados recrutados pela inteligência britânica para levar a bom termo a missão que lhes fora confiada de eliminar o governador do Protetorado da Boémia e Morávia, aquele a quem Hitler designava como o Homem do Coração de Ferro, está bem presente em muitas passagens do texto. Acontece que a História é uma genuína fatalidade em curso, que manifesta uma profunda diver-gência formal com a Literatura, podemos lê-la e relê-la em todos os sentidos, mas não podemos reescrevê-la à nossa vontade, sempre que o desfecho não nos satisfaça. O próprio autor está convicto dessa realidade inexorável. Pode expor o seu desagrado pelo desenlace dos episódios narrados, mas tem de se render à realidade dos factos, por mais injustos que sejam ou lhe pareçam ser. Ou se conforma e segue em frente com toda a honestidade que o rigor histórico lhe ditar ou terá de mudar de paradigma literário para que o ato criativo funcione em toda a sua plenitude. Em boa hora para os amantes da sua escrita, que Laurent Binet conseguiu encontrar um equilíbrio estável entre as duas dimensões antagónicas de reportar os factos acontecidos. Forma original, dizem os críticos e eu subscrevo plenamente. Pelo menos nunca vi nada igual ou sequer parecido e em tal profusão em nenhum outro romancista. Que venha mais outro ou vários com o mesmo espírito inventivo que nunca serão demais.

NOTA
* Umberto ECO, «Os mundos da ficção científica», in Sobre os Espelhos e outros ensaios. [1985]. Lisboa: Difel, 1989, p. 202.

17 de junho de 2020

Un pipi au Café de Flore

« Au Flore, à côté d'une petite bonne femme blonde, ils aperçoivent un homme qui louche derrière de grosses lunettes, il a l'aire souffreteux et sa tête de grenouille dit vaguement quelque chose à Bayard, mais ce n'est pas pour lui qu'ils sont là. Bayard repère les hommes de moins de trente ans et va les aborder. La plupart sont des gigolos qui draguent dans le secteur. Est-ce qu’ils connaissaient Barthes ? Tous. Bayard les interroge un par un tandis que Simon Herzog surveille Sartre du coin de l'œil : il n'a pas l'air en forme du tout, il n'arrête pas de tousser en tirant sur sa cigarette... »
Laurent Binet, La septième fonction du langage. Paris: Grasset, 2015: 58 
É frequente encontrar referências aos grandes cafés da capital francesa em obras literárias compostas em diversos idiomas. O último caso com que me deparei foi-me trazido por Laurent Binet n'A sétima função da linguagem. A presença de personalidades mundialmente conhecidas nas áreas das letras e das artes é obrigatória. Tal o caso de Jean-Paul Sartre escolhido pelo jovem romancista gaulês.

Também eu, sem dispor dum estatuto especial de figura pública que me permita viver nas páginas dum livro, já tive o privilégio de conhecer o ambiente intelectual do Café de Flore, a portas meias com o seu velho rival, o Café les Deux Magots, esquina contra esquina, nas imediações da PUF, mesmo ali no coração da Cidade Luz. A visita saiu-me cara e a história conta-se em poucas palavras.

Tudo de passou no verão de 95, numa pacata manhã de domingo, quando resolvemos descer do 15ème arrondissement para o centro da mítica Paris. Uma súbita vontade de faire pipi da minha filha mais nova obrigou-nos a entrar no tal café frequentado por gente da cultura. 1/4 de Vittel & 1 petit noir custaram-nos a módica quantia dum conto e tal de réis. O preço do franco não era então para brincadeiras.

Uma verdadeira fortuna para um parente pobre há pouco entrado no clube dos ricos da antiga CEE. Nos dias de hoje a situação não se terá alterado muito substancialmente na atual UE. Diz-se que os livros são imitações de vida mas que a vida vai sempre muito além das peripécias protagonizadas nos romances pelos heróis da imaginação. Só assim se possa entender este dispendioso pipi au café de Flore.

23 de janeiro de 2020

Laurent Binet: encontros, desencontros e reencontros ucrónicos de civilizações

« “ Sire, puisque Dieu vous a conféré cette grâce immense de vous élever par-dessus tous les rois et princes de la chrétienté à une puissance que jusqu'ici n'a possédée que votre prédécesseur Charlemagne, vous êtes sur la voie de la monarchie universelle, vous allez réunir toute la chrétienté sous la même houlette. ” || C’est en ces mots que l’archevêque de Mayence Albert de Brandebourg, oncle de Joachim-Hector, lui-même margrave et électeur de Brandebourg, accueillit Atahualpa dans le temple d'Aix-la-Chapelle, sous un immense lustre en cuivre doré, au pied des statues de saint Paul à la croix et de saint Pierre à la clé (deux idoles populaires dans ces pays), pour lui remettre solennellement les attributs de la dignité impériale. » 
Laurent Binet, Civilizations (2019) pp. 274-275
A ucronia literária instala-se no momento em que os eventos narra-dos fogem à verdade histórica documentada nos anais oficiais e en-tram no universo paralelo da fantasia pura e simples da história alter-nativa, hipotética ou especulativa gizada de vez em vez pela ficção. Conjeturar, à boa maneira de George Steiner n'O transporte para San Cristóbal de A. H. (1979), a fuga de Adolfo Hitler para a floresta Amazónica após a queda de Berlim. Demonstrar, como o fez José Saramago na História do cerco de Lisboa (1989), que a cidade podia ter sido tomada por D. Afonso Henriques aos Mouros sem a ajuda dos Cruzados. Defender que D. Sebastião logrou sobreviver à batalha de Alcácer-Quibir, tal como Catherine Clément se atreveu a avançar nas Dez mil guitarras (2010).

A atração por esta modalidade poética de reescrever o percurso mile-nar dos homens parece ter conquistado a verve criativa de Laurent Binet. Após ter convertido n'A sétima função da linguagem (2015) a morte acidental de Roland Barthes num complot internacional, surge agora com um megaprojeto manipulador da realidade factual dado à luz nas Civilizations (2019). O local sai de cena e entra o global. O processo de contrafação das fontes escritas que os séculos nos legaram começa com uma saga de Freydis Eriksdottir, prossegue com o diário fragmentário de Cristóvão Colombo, amplia-se com as crónicas de Atahualpa e culmina com as aventuras de Cervantes. O caráter apócrifo de cada um destes documentos elaborados pelas diversas instâncias discursivas convocadas é claro e não merece nenhum reparo em especial. Só assim as premissas teóricas do género se concretizam e se pode contrapor o não-tempo imaginado pelo faz-de-conta ao tempo real efetivamente acontecido.

Atribuir a um romance francês um título em inglês causou-me uma certa estranheza que me levou a averiguar a causa do insólito. O mistério acaba, quando descobri que o autor se limitara a aplicar no universo das letras as regras dum jogo de vídeo criado em 1991 por Sid Meier. Nesta Civilization, a estratégia a seguir consiste em incor-porar e expandir uma civilização histórica, a fim de superar as rivais. A ideia tinha sido esboçada em 1989 por Roberto Bolaño O Terceiro Reich, quando os wargames da Segunda Guerra Mundial são recri-ados pelo protagonista com os hexágonos e fichas das batalhas tra-vadas num tabuleiro. Laurent Binet vai mais longe do que o novelista chileno. Concretiza a dimensão ucrónica em toda a trama textualA filha de Erik-o-Vermelho desiste de regressar à Escandinávia e ruma em direção a Cuba, México, Panamá e Peru. O descobridor genovês da América alcança as ilhas do mar das Caraíbas mas é vencido pelos povos locais e impedido de regressar a Castela. O Sapa Inca das Quatro Regiões atravessa o grande mar Oceano, desembarca em Lisboa e conquista o velho continente, que converte na Quinta Região do Império do Sol. O biógrafo do Don Quijote torna-se num peregrino europeu da fortuna com destino final nos territórios aztecas dos adoradores da Serpente Emplumada. A inversão surpreendente de factos notáveis ocorridos nos dois hemisfério terrestres separados pelo Atlântico não impediram a Académie française de lhe atribuir o Grand prix du roman nesse mesmo ano do lançamento da obra.  

A posse dos cavalos, do uso do ferro e dos anticorpos legados pelos visitantes vikings e castelhanos desde o ano mil deram aos índios de além-mar todas as condições de invadir as terras do deus pregado, da bolacha branca e da beberagem vermelha, de derrotar sem apelo nem agravo Carlos V e Francisco I. D. João III e Henrique VIII sa-em mais ou menos incólumes desta mundialização de sentido ame-ríndio. A nova ordem planetária imposta pelo Filho do Sol difere pouco da que encontrou nos Países do Levante. A Inquisição dos vencidos é substituída em poucas colheitas pelas Pirâmides dos vencedores e fica tudo na mesma. O não-tempo da ucronia e o não-espaço da utopia geram todavia uma realidade alternativa decisiva nos universos das letras e das artes, revelados nas folhas que falam de Cervantes e nas pinturas mágicas de El GrecoNesta luta de titãs regida pelas rodelas de metal e bastões de fogo, a força livre da cultura tem o poder de resistir à força bruta das civilizações. Mensagem de esperança difícil de encontrar nas histórias acontecidas mas perfeitamente viável nas histórias imaginadas.