12 de setembro de 2015

O nariz de Pinóquio

Il burattino Pinocchio e il Grillo Parlante

No espantoso mundo encantado do faz-de-conta infantil, os bons são sempre premiados e os maus castigados. Exemplarmente. Abençoado maniqueísmo mágico que até nos chega a convencer que as fadas-madrinhas existem mesmo. Que há um Paraíso para os cumpridores e um Inferno para os prevaricadores.

Carlo Collodi imaginou em Le avventure di Pinocchio: storia di un burattino (1881), o romance dum boneco de madeira que queria ser um menino de carne osso. Perdidamente. Depois de muito penar lá conseguiu essa metamorfose, à custa de ter vencido esse vil vício da mentira. Passou a falar verdade e o nariz deixou de lhe crescer.

No vulgar mundo banal do dia-a-dia adulto, o mentiroso está sempre condenado a mentir. Irrevogavelmente. Mente com quantos dentes têm na boca sem nunca lhe crescer o nariz. Como diria Pessoa, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Malabarismos da língua de poetas e mentirosos.

Clifford A. Pickover ignorou no The Math Book (2009) o Paradoxo de Epimédides, que nos diz que uma frase falsa tem de ser falsa se for verdadeira e verdadeira se for falsa. Inexoravelmente. A ciência da manipulação dos números preferiu ficar à margem dos labirintos da verdade-mentira. As letras que o façam se quiserem ou souberem.

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