4 de janeiro de 2026

Cíclicas

GLOBE TERRESTRE
Andreas Cellarius, Atlas cœlestis seu Harmonia Macrocosmica, 1708

Ano velho, ano novo e de meia idade...

Não há Ano Velho sem Ano Novo, nem ano de meia idade entre um e outro. Tudo começa no primeiro dia do ano e no segundo ninguém se lembra do que que disse na véspera, muito menos no terceiro e em todos aqueles que se lhe seguirem. Os dias, as semanas e os meses revezam-se uns aos outros sem pausas, iguais/diferentes a todos os demais que os precederam e sucederão. Ilusões de quem concentra num só ponto todos os pontos dum círculo, roda ou espiral cíclicos.

Este ano como nos já idos e por vir, o Carnaval será à terça, a Páscoa ao Domingo e o Natal em dezembro ou quando um homem quiser. Depois, não há dia de Ano Bom sem a difusão do concerto de Ano Novo executado pela Filarmónica de Viena de Áustria, nem a bênção papal urbi et orbi difundida da Basílica de São Pedro em Roma. Também se comerá uma fatia de bolo-rei/rainha no Dia de Reis, apesar de vivermos numa república há muito tempo assente.

Diz a sabedoria popular não haver sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça. Sem sol, se não houver nuvens e não chover; com missa, se houver fiéis e alguém para a celebrar; com/sem preguiça, se houver trabalho e a insónia não reinar. Nascem e morrem pessoas todos os dias do ano, seja ele novo, velho ou de meia idade. É que o sol quando nasce/põe é para todos em qualquer altura do ano. Comum, como o atual, que nem sequer é bissexto.