![]() |
Hope Kroll, Homebound, 2018 |
Se bem me lembro...
Primeiro foram os nomes, depois as palavras soltas e algumas frases feitas. Nada de mais. Nem sempre recordo muito bem o que comi na véspera ou se já tomei os medicamentos ou não, mas ainda me lembro de quem sou e por ponde ando ou estou. Do mal o menos. Numa consulta de relativa rotina, descobri ter um défice de vitamina B12. Os suplementos aconselhados já começaram a ser injetados e ingeridos. Aguardo resultados.
Ainda tenho memória de ter memórias. Aquelas que vêm de longe, passo ante passo, cada vez mais espaçadas, mais distantes, mais discretas. Vou-me atirar aos alimentos que parece travarem essa tendência de queda na confusão, torpor e demência. Venha desde já um reforço claro de produtos láteos, proteínas da terra e do mar, cereais e leguminosas. Estou a apostar nos ovos, salmão, carne, queijo e algumas coisitas mais.
Entendidos os esquecimentos benignos, porque efémeros, há que evitar os esquecimentos malignos, porque permanentes. Completar a cultura agri com a cultura animi. Alternar o alimento do corpo com o alimento do espírito. Em proporção idêntica. Porque nem só de pão vive o homem. Faço-o caminhando e cantando, lendo e escrevendo, meditando e criando. Mantendo-me ligado a estas histórias sem retornos expectáveis no horizonte.
A literatura de autoajuda aponta uma série infinita de orientações que não deixo de seguir em dose q.b., por pertencerem ao universo do senso comum. De todas elas, aprecio especialmente aquela que nos aconselha o consumo do queijo, pela sua riqueza na vitamina B12. É que, contrariando a vox populi, afinal o queijo não só não potencia o esquecimento, como até nos ajuda a manter a memória ativa. Deo gratias e que assim seja.
![]() |
| Stick model of B12 |

