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| Camões sobre tela a óleo de Abel Manta, Largo de Camões (1932) |
S O N E T O
A Morte, que dá vida, o nó desata,os nós, que dá o Amor, cortar quiserana Ausência, que é contra ele espada fera,e co Tempo, que tudo desbarata.Duas contrárias, que ũa a outra mata,a Morte contra Amor ajunta e altera;ũa é Rezão contra a Fortuna austera;outra, contra a Rezão, Fortuna ingrata.Mas mostre a sua imperial potênciaa Morte em apartar dum corpo a alma.Duas num corpo o Amor ajunte e una,por que assi leve triunfante a palmaAmor da Morte, apesar da ausência,do Tempo, da Rezão e da Fortuna.
Luís de Camões, Lírica completa - II [Sonetos], org., pref. e notas de Maria de Lurdes Saraiva, 2.ª ed., revista, Lisboa: INCN, 1994, p. 298.

Feliz nação que tem camões como seu poeta de todos aqueles que o não esquecem.
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