10 de junho de 2026

Amor, tempo, rezão, fortuna e morte a celebrar o dia de Luís Vaz de Camões

Camões sobre tela a óleo de Abel Manta, Largo de Camões (1932)

S O N E T O 

A Morte, que dá vida, o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contra ele espada fera,
e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contrárias, que ũa a outra mata,
a Morte contra Amor ajunta e altera;
ũa é Rezão contra a Fortuna austera;
outra, contra a Rezão, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potência
a Morte em apartar dum corpo a alma.
Duas num corpo o Amor ajunte e una,

por que assi leve triunfante a palma
Amor da Morte, apesar da ausência,
do Tempo, da Rezão e da Fortuna.
 
Luís de Camões, Lírica completa - II [Sonetos]org., pref. e notas de Maria de Lurdes Saraiva, 2.ª ed., revista, Lisboa: INCN, 1994, p. 298.

1 comentário:

  1. Maria Augusta Nascimento13 de junho de 2026 às 07:26

    Feliz nação que tem camões como seu poeta de todos aqueles que o não esquecem.

    ResponderEliminar