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| Bagagem do Viajante H C Andersens Hus - Odense (Dk) [Foto de capa da página pessoal fb] |
«Oh! Viajar, viajar! É, na verdade, o destino mais feliz. E por isso viajamos todos nós. Tudo viaja em todo o Universo. Mesmo o mais pobre ser tem o cavalo alado do pensamento e quando fica fraco e velho, então toma-o a morte consigo na viagem, que todos fazemos. Viajamos todos, mesmo os mortos, nos seus túmulos silenciosos, voam com a terra à volta do Sol.»Hans Christian Andersen, Uma visita a Portugal em 1866
É rara a vez que abro o Facebook e não sou avisado do aniversário de alguém. Sou instado a festejar a data do seu nascimento mesmo após o seu falecimento. O livro das caras tem destas singularidades. Boas/más, insólitas. Lembra-nos a data mais importante dos nossos amigos virtuais. Aquela em que entraram em cena neste palco real de gente vivente, mesmo quando já terão ido desta para melhor. Anuncia-se o início da viagem e omite-se o termo da mesma. Entra-se muito discretamente nos meandros desconhecidos da eternidade sem bagagem de mão, sem dizer água-vai e sem regresso à vista.
Tenho o meu ciberespaço repleto de amigos-fantasma, silenciosos e virtuais. O mundo está mais pobre para mim. Os emojis no meu FB são cada vez mais escassos. Os meus contactos em-linha cresceram, estabilizaram e definharam. Ainda me resta uma meia dúzia de nomes mais ou menos conhecidos dentro e fora da rede com quem interajo esporadicamente quando o rei faz anos e até sou republicano. Em dezassete anos de navegações solitárias sem rumo certo e terra à vista, a apetência pela comunicação à distância entrou num período comatoso, como as reações a esta mensagem poderão comprovar.

Infelizmente, é verdade. Os amigos fantasma escassearam com os anos. Triste é quando percebo que alguns partem para o outro mundo no próprio livro das caras, como o denominas, uma constatação de que as pessoas se vão afastando aos poucos. É a vida... Vou tentando desejar um bom dia regularmente, mas seja pirque outros valores se levantam, seja porque a rotina cansa, o número de amigos vai mesmo decrescendo. Mas só me fazem falta os amigos reais, os virtuais podem ir para o espaço a que pertencem...
ResponderEliminarEsta semana partiu mais um amigo real que também era virtual e um dia também será um aniversariante fantasma neste universo mediático. Proezas do sempre renovado admirável mundo novo que nos envolve mesmo após a última viagem.
ResponderEliminarTão bonito, adoro a ideia e as malas e vamos!!!
ResponderEliminarExperiência semelhante, a minha. Terá a ver com razões diversas, onde se insere também enfartamento da rede social, e consequente alheamento. Mas, como bem lembrado pelo sensível Artur, as bagagens ficam. Porque são constituidas por tudo aquilo que partilhamos e passaram a constituir património comum.
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