6 de novembro de 2026

O fruto proibido & o vinho ervado

John Duncan, Tristan & Isolde (1912)
[Museums and Galleries Edinburgh, City Art Centre]
« Reine Iseult, prenez ce breuvage qui a été préparé en Irlande pour le roi Marc ! »
Roman deTristan et Iseult
renouvelé en français moderne par René Louis 
d'après les manuscrits des  XIIe e XIIIe siècles
Entre o beber e o comer...

EXTRATO 1 : Fruto Proibido
[Bíblia Sagrada (Gen. 3, 1-8)]

«A serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o SENHOR Deus fizera; e disse à mulher: “É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?” A mulher respondeu-lhe “Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Nunca o deveis comer, nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis.” A serpente retorquiu à mulher: “Não, não morrereis; porque Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal”.

Vendo a mulher que o fruto da árvore devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto e precioso para esclarecer a inteligência, agarrou do fruto, comeu, deu, dele também a seu marido, que estava junto dela, e ele também comeu.

Então abriram-se os olhos aos dois e, reconhecendo que estavam nus, cose-ram folhas de figueira umas às outras e colocaram-nas, como se fossem cin-turas, à volta dos rins.»


EXTRATO 2 : Vinho Ervado
[Tristão e Isolda (ix, 55-56)]

«“Rainha Isolda, aceita esta bebida que foi preparada na Irlanda para o Rei Marcos!” Isolda não respondeu e deixou a serva fazer o que bem entendesse. Quanto a Tristão, acreditou ser um vinho fino oferecido como presente ao Rei Marcos. Sendo um homem cortês e educado, serviu um pouco da bebida na taça e ofereceu-a a Isolda, que a bebeu para matar a sede. Quando ela pousou a taça, ainda meio cheia, Tristão tomou-a e esvaziou-a até à última gota.

Assim que os dois jovens beberam o vinho, o amor, o tormento do mundo, insinuou-se nos seus corações. Antes que se apercebessem, ambos estavam sob o seu domínio. O ressentimento de Isolda desapareceu e nunca mais foram inimigos; já se sentiam ligados um ao outro pela força do desejo, e, no entanto, continuavam a esconder-se um do outro. Por mais violenta que fosse a atração que os impelia para o mesmo desejo, ambos tremiam igualmente de medo da primeira confissão.»
Jacopo Tintoretto, La caduta dell'uomo 1577.1578

Sem comentários:

Enviar um comentário