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| O relógio da cozinha indiferente à roda-viva das horas |
O sexo dos anjos e a quadratura do círculo
O ritual sazonal da dança das horas voltou a repetir-se este fim de semana. Religiosamente. É assim ciclicamente duas vezes por ano. O dia do mês é variável mas recai sempre nas madrugadas dos últimos domingos de junho e de outubro.
A velha ladainha de mudança de hora foi rezada mais uma vez e com as mesmas palavras. O horário de verão devia manter-se no inverno. Imutável. A hora roubada ao sono nos dias quentes não devia ser devolvida ao sono nos dias frios.
O acerto da hora solar com a legal é a nova discussão do sexo dos anjos. Os prós e os contra duma hora a mais ou a menos ganha aos pontos à quadratura do círculo. No baile mandado das horas, o que falta mesmo é um mandador à altura.

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