
Xeque-mate ao Rei!
Rei morto, rei posto! Também se costumava dizer nos antigos rituais monárquicos. A regra, todavia, nem sempre funcionou em plenitude. O Príncipe Real Dom Luís Filipe não chegou a reinar nos 20 minutos de vida que o terá superado a morte do pai. Sucedeu-lhe com esse exíguo intervalo régio de permeio o irmão mais novo, que nunca até então imaginara tal golpe do destino.
Out with the old, in with the new! A permuta do velho pelo novo nem sempre se expressou assim entre nós. Por vezes a sucessão de pai para filho fazia-se entre irmãos desavindos. Quertelas ideológicas pesadas ditaram que Dom João I sucedesse a Dom Fernando e Dom Miguel a Dom Pedro IV, saltando ambos por cima das sobrinhas legítimas, Dona Beatriz e Dona Maria II.
Arraial, arraial, por el-Rei de Portugal! Foi o grito de aclamação usado para alçar o rei de Portugal. Desde o primeiro ao derradeiro soberano. Presumo que com menos intensidade no caso na substituição dos monarcas destronados pela força das armas dos irmãos entronizados. Assim sucedeu como Dom Sancho II destituído por Dom Afonso III e com Dom Afonso VI por Dom Pedro II.
Abaixo a Monarquia, viva a República! Este terá sido o pregão mais ouvido na praça do Município em Lisboa, na madrugada do dia 5 de Outubro de 1910. O xeque-mate ao rei estava consumado. As guerras intestinas entre herdeiros aparentes e presuntivos, travadas por linha agnata ou cognata, legítima ou usurpada, haviam passado à história. Então, agora e sempre. Pela Lei & Pela Grei.
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